Faltando exatos 23 dias para a governadora Fátima Bezerra definir se renuncia ao Governo para disputar um mandato de senadora na eleição de outubro, a projeção que predomina no meio político é identificar quem vota com quem na eleição indireta que escolherá o sucessor para o chamado mandato-tampão.
O objetivo dessas contas é saber se Fátima terá ou não condições de eleger seu sucessor. Disso depende a decisão dela de renunciar ou não ao mandato para disputar o Senado.
Primeiro, é preciso observar a posição dos três grupos partidários com capacidade de influenciar diretamente no processo.
PT: defende, para o mandato-tampão, uma candidatura própria, identificada com as bandeiras do atual governo. O nome prioritário é Cadu Xavier e a segunda opção é Francisco do PT.
PL: defende a escolha de um nome técnico, sem envolvimento com o processo eleitoral e que inicie desde já uma transição para o futuro governo, com medidas de enxugamento da máquina e disciplina nos gastos. Até agora, o partido não indicou nenhum nome.
União Brasil: não demonstra interesse direto em indicar um nome próprio para o pleito e entende que o PT deve concluir o mandato e assumir a responsabilidade pela gestão.
Essas são as posições defendidas pelos partidos. Agora, é possível observar como estão posicionados os 24 deputados estaduais — eleitores na eleição indireta — considerando cada palanque político e quantos votos cada grupo pode reunir.
PL (10 votos): Gustavo Carvalho, Dr. Kerginaldo, José Dias, Terezinha Maia, Tomba Farias, Luiz Eduardo, Adjuto Dias, Coronel Azevedo, Cristiane Dantas e Ezequiel Ferreira.
PT (8 votos): Francisco do PT, Isolda Dantas, Divaneide Basílio, Vivaldo Costa, Dr. Bernardo, Eudiane Macedo, Ivanilson Oliveira e Ubaldo Fernandes.
União Brasil (6 votos): Hermano Morais, Galeno Torquato, Kléber Rodrigues, Neílton Diógenes, Nélter Queiroz e Taveira Júnior.
Diante dessa divisão de votos já relativamente clara, a governadora Fátima Bezerra procurou conversar com deputados ligados ao palanque do prefeito Allyson Bezerra, do União Brasil. Um a um, eles conversaram com a governadora ou com emissários do governo.
Paralelamente, o entendimento do prefeito Allyson Bezerra e do ex-senador José Agripino de que, estrategicamente, não seria interessante assumir o mandato-tampão — devido à dificuldade de reverter o quadro financeiro do Estado em um curto período — foi interpretado pelos deputados como um sinal verde para negociações com outros grupos.
Internamente, o PT avalia que foram positivas as conversas com Kléber Rodrigues, Neílton Diógenes e Galeno Torquato. Não há grande expectativa em relação a Hermano Morais, que já indicou que não tomará uma decisão individual e votará de acordo com a posição do seu grupo político. Taveira Júnior é outro nome com o qual o PT não conta, já que o deputado está politicamente próximo de Ezequiel Ferreira.
Na avaliação do PT, há oito votos considerados certos e mais três com boas chances de apoiar o candidato do partido. A partir daí, o cenário se torna mais complicado. O governo precisaria assegurar pelo menos cinco dos seis votos ligados ao chamado palanque da terceira via, mas até agora possui negociações avançadas com apenas três.
Mesmo assim, o governo avalia que o deputado Ezequiel Ferreira pode atuar de forma decisiva para consolidar a estratégia da direita de indicar um nome técnico para o cargo. Esse grupo já contaria com dez votos e precisaria apenas de mais três para garantir a maioria. A avaliação interna é de que Taveira Júnior votaria com esse bloco e de que também há boas chances de atrair o deputado Nélter Queiroz.
Esse é o quadro do momento. Na fotografia de hoje, o governo ainda não tem garantias de que conseguirá eleger o sucessor de Fátima Bezerra. Por isso, a decisão sobre uma eventual renúncia da governadora em 4 de abril aparece, neste momento, como um horizonte mais distante.




