O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo pelo PL, Álvaro Dias, precisa definir com mais clareza qual é a sua identidade ideológica. Ele tem provocado incômodo em setores do bolsonarismo após sucessivas entrevistas em que afirma não se considerar bolsonarista.
Embora tente se aproximar desse campo ao se identificar com pautas defendidas por liberais e ao reconhecer aspectos positivos do governo de Jair Bolsonaro, especialmente durante a pandemia, a ausência de uma posição mais firme tem gerado descontentamento entre os bolsonaristas mais alinhados.
Já é possível observar, em blogs e nas redes sociais, manifestações de eleitores identificados com o bolsonarismo reagindo à postura de Álvaro. A principal crítica é que ele busca o voto desse eleitorado, mas evita estabelecer um vínculo claro com o movimento.
Na tentativa de atrair o eleitor de centro, Álvaro parece adotar cautela ao se posicionar sobre sua relação com o bolsonarismo. Trata-se, ao que tudo indica, de uma estratégia orientada pelo marketing da campanha, que busca reduzir possíveis rejeições.
O raciocínio por trás dessa estratégia é simples: na última eleição, cerca de dois terços do eleitorado votaram em Lula, enquanto um terço optou por Bolsonaro. O objetivo seria garantir esse terço mais alinhado à direita e, ao mesmo tempo, conquistar parte do eleitorado de centro e de esquerda.
Em síntese, Álvaro busca o voto dos bolsonaristas, mas evita se associar diretamente à imagem de Bolsonaro. Essa estratégia, no entanto, não está isenta de riscos. Ao tentar ampliar seu alcance, pode acabar gerando perda de identidade junto à base mais fiel da direita.
Além disso, ao longo da campanha, será difícil evitar temas sensíveis ao bolsonarismo, como anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, críticas ao STF ou pautas trabalhistas como a jornada 6×1. Em algum momento, será necessário assumir posições mais claras.
Ser ou não ser, eis a questão.





