A rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias para o STF exige algumas leituras.
A expressão de espanto de Rogério Marinho e do próprio Flávio Bolsonaro ao verem o resultado no painel deixa claro que eles não tinham conhecimento prévio do desfecho. Já o murro na mesa de Davi Alcolumbre, ao anunciar o resultado, indica que ele, sim, sabia o que estava por vir.
O presidente Lula, há algum tempo, deixou de exercer uma de suas principais marcas políticas: o diálogo. Hoje, é visto como um presidente mais fechado, com pouca interlocução com a classe política. Não recebe senadores nem deputados. Nesse contexto, o desfecho não surpreende.
A rejeição de Messias não pode ser atribuída a mérito do bolsonarismo. Questionado sobre as razões do resultado, Flávio Bolsonaro afirmou que, desta vez, prevaleceu a espontaneidade e reconheceu que não houve articulação junto aos senadores. Dificilmente poderia dizer o contrário sem contrariar os fatos.
Pode-se argumentar que Davi Alcolumbre teve papel decisivo ao impor ao governo uma derrota histórica. No entanto, a derrota foi, em grande parte, construída pelo próprio governo. Alcolumbre teve força para conduzir o resultado final, mas isso se deu, sobretudo, pelas fragilidades da articulação governista.
Quanto a Jorge Messias, é provável que não seja lembrado como protagonista desse episódio. Será citado como o nome rejeitado após mais de um século, mas a marca principal recairá sobre o presidente que fez a indicação. A derrota é política e recai sobre Lula. A história tende a repetir o que já ocorreu no início da República, quando Floriano Peixoto teve indicações ao STF rejeitadas. Poucos recordam os nomes indicados, mas se sabe que a rejeição refletia o enfraquecimento do governo. É assim que esse episódio provavelmente será registrado: menos sobre Messias, mais sobre a fragilidade política de quem o indicou.
Após a derrota, Lula fez a declaração possível: “cabe ao presidente indicar, e cabe ao Senado aprovar ou reprovar”.
Ainda assim, o episódio não se encerra aqui. Haverá desdobramentos. Davi Alcolumbre tende a enfrentar custos políticos. Entre os principais atores, pode se tornar o elo mais vulnerável.
No início de 2027, o Senado elegerá sua nova presidência. Davi Alcolumbre é candidatíssimo a reeleição. Se Flávio Bolsonaro for o presidente, Alcolumbre já era. Se Lula for reeleito, Alcolumbre também já era.





