PT enfrenta dificuldade para tornar Samanda Alves competitiva ao Senado

Não tem sido uma tarefa simples para a governadora Fátima Bezerra alavancar a candidatura de Samanda Alves ao Senado. Por se tratar de uma disputa majoritária, além da estrutura política, a campanha exige carisma, apelo popular e um certo tempero na capacidade de comunicação com o eleitorado — características que, até agora, Samanda ainda não conseguiu demonstrar de forma consistente.

A vereadora natalense foi escolhida para disputar o Senado como substituta de Fátima Bezerra, principalmente por ser uma das pessoas mais próximas e de maior confiança da governadora. Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão priorizou mais a sucessão interna de comando no PT do que propriamente a viabilidade eleitoral da candidatura. Atualmente, Samanda ocupa a presidência estadual do partido.

Já se passaram mais de 60 dias desde que o PT anunciou oficialmente Samanda como candidata. Desde então, o partido sustenta a estratégia de associá-la diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apostando que o reconhecimento como “a candidata de Lula” impulsionaria naturalmente seu desempenho nas pesquisas. Surgiu, assim, a tentativa de consolidar a imagem da “Samanda de Lula”.

A mesma lógica utilizada pelo PT para apresentar Cadu Xavier como “o candidato de Lula” também foi aplicada à campanha de Samanda, dentro da estratégia batizada de “time de Lula”.

O problema, porém, é que Samanda possui uma identidade fortemente partidária. Ela é vista como uma liderança petista tradicional, presente nos embates políticos e frequentemente escalada para defender o partido em temas mais delicados. Isso faz com que seu discurso encontre repercussão principalmente dentro da própria militância, sem conseguir, até agora, ultrapassar os limites da bolha partidária.

Em disputas majoritárias, romper essa bolha é fundamental. Assim como Coronel Hélio precisa ir além do eleitorado bolsonarista, Samanda também necessita ampliar sua comunicação para além do eleitor petista — o que não significa automaticamente alcançar o eleitorado lulista como um todo. É justamente nesse ponto que a candidatura enfrenta dificuldades, o voto em Lula está muito além do voto no PT. Para ampliar alcance, é necessário carisma, conexão popular e um discurso capaz de dialogar com públicos mais amplos.

O histórico eleitoral de Samanda em disputas estaduais também pesa contra. Em 2022, o PT acabou perdendo a terceira vaga para a Câmara Federal porque ela não conseguiu atingir o mínimo dos 20% da votação necessária dentro do quociente eleitoral. Isso ocorreu mesmo com o apoio ostensivo de Fátima Bezerra, que disputava a reeleição ao Governo do Estado e venceu ainda no primeiro turno, com 58,3% dos votos.

Transformar Samanda em uma candidatura competitiva exige mais do que vinculá-la à imagem de Lula. Falta, até aqui, um elemento emocional que gere identificação junto ao eleitor. A candidatura ainda não conseguiu construir um apelo popular claro nem apresentar uma narrativa capaz de mobilizar além da militância.

Quando anunciou a desistência de disputar o Senado, Fátima Bezerra aparecia em segundo lugar nas pesquisas, variando na faixa dos 30% das intenções de voto. Atualmente, Samanda enfrenta dificuldades até mesmo para alcançar dois dígitos em alguns levantamentos. Até agora, não houve transferência automática do capital eleitoral da governadora.

Enquanto isso, Zenaide Maia cresceu nas pesquisas após a saída de Fátima da disputa; Rafael Motta entrou na corrida já acima dos 20% em alguns cenários; e Coronel Hélio vem conseguindo consolidar o eleitorado bolsonarista. Dentro desse contexto, Samanda aparece como a única no grupo com sensação negativa no desempenho.

Até o momento, os fatos indicam que tornar Samanda Alves competitiva na disputa pelo Senado será um desafio complexo. Não houve transferência automática dos votos de Fátima Bezerra, e ainda faltam elementos importantes para aproximá-la emocionalmente do eleitor. Construir uma candidatura popular exige tempo, narrativa, identificação e conexão — algo que não acontece apenas por estratégia de marketing ou associação política.

Compartilhe agora:

MAIS POSTS