Estão se acumulando as explicações que o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, tem dado para responder aos questionamentos sobre sua gestão e que acabam recaindo sobre o atual prefeito, Paulinho Freire. Curiosamente, Paulinho também é o coordenador político do projeto eleitoral de Álvaro para 2026.
Ao tentar se justificar, o ex-prefeito frequentemente transfere para o sucessor a responsabilidade pelos problemas apontados. Há pelo menos três situações que simbolizam esse jogo de empurra-empurra.
A primeira envolve o pagamento de artistas que se apresentaram no Natal em Natal, em dezembro de 2024. A cantora Taty Girl, por exemplo, precisou recorrer à Justiça para cobrar os R$ 350 mil referentes ao cachê contratado. Segundo Álvaro, a responsabilidade pelo pagamento não seria dele, mas da gestão seguinte. “Ela se apresentou em 31 de dezembro, último dia do meu mandato. Eu não tinha como fazer esse pagamento”, argumentou. Pela lógica apresentada, a responsabilidade pelo não pagamento seria da atual administração.
A segunda situação diz respeito ao Hospital Municipal de Natal. Inaugurado nos últimos dias da gestão Álvaro Dias, a unidade nunca entrou em funcionamento. Em sua mais recente justificativa, o ex-prefeito afirma que entregou a obra pronta e que foi Paulinho Freire quem decidiu ampliar o projeto, adiando sua abertura. Dessa forma, atribui à atual gestão a responsabilidade pelo hospital permanecer fechado.
Há ainda o debate sobre a dívida deixada pela administração anterior. Adversários políticos afirmam que o passivo se aproxima de R$ 1 bilhão. Álvaro reconhece a existência da dívida, mas sustenta que deixou recursos em caixa superiores ao valor devido, o que, segundo ele, garantiria condições para quitar todos os compromissos. Nesse raciocínio, eventuais atrasos ou inadimplências futuras também seriam de responsabilidade da gestão atual.
Como se observa, Álvaro Dias tem respondido às principais polêmicas de sua administração transferindo para o atual prefeito parte significativa das responsabilidades pelos problemas apontados.
Diante disso, restam a Paulinho Freire duas alternativas: apresentar publicamente suas versões e contrapontos ou, em nome da manutenção do projeto político do grupo, permanecer em silêncio e permitir que a narrativa do ex-prefeito prevaleça sem contestação.




