A chapa para o Senado no palanque governista do Rio Grande do Norte possui um diferencial que, até o momento, parece não estar sendo devidamente percebido pelos partidos que compõem o grupo.
Entre as três composições montadas para a disputa das duas vagas ao Senado, é justamente no campo da esquerda que a chamada dobradinha apresenta maior potencial de funcionamento. Rafael Motta e Samanda Alves podem se beneficiar mutuamente caso consigam explorar esse diferencial de forma eficiente.
Antes de avançar, é importante compreender a função de uma dobradinha em uma eleição para o Senado, na qual o eleitor pode escolher dois candidatos. A lógica é reunir dois nomes que se complementem, sem competir entre si, transmitindo ao eleitor a sensação de identidade e parceria. O objetivo é fazer com que quem já vota em um dos candidatos também destine o segundo voto ao outro integrante da chapa.
Na direita, embora existam duas pré-candidaturas, a dobradinha praticamente não existe. Styvenson Valentim demonstra preferência por uma campanha individual, sem forte associação a grupos políticos. Com isso, não trabalha a transferência do segundo voto, deixando Coronel Hélio em posição mais isolada.
No campo de centro, Zenaide Maia fez uma escolha estratégica ao não apresentar um segundo nome para compor uma chapa informal. O aspecto positivo é concentrar toda a energia da campanha em sua candidatura. O ponto negativo é abrir mão da disputa organizada pelo segundo voto, que tende a ser direcionado para adversários. Até aqui, a estratégia parece ter produzido resultados, já que Zenaide se consolidou na segunda posição nas pesquisas.
Já no palanque da esquerda, a dobradinha existe de forma explícita. Rafael Motta e Samanda Alves se apresentam como representantes do projeto político liderado por Lula, buscando construir uma identidade comum junto ao eleitorado lulista. Além disso, compartilham proximidade ideológica e pertencem ao mesmo campo político.
O que parece dificultar o desempenho dessa composição é a percepção de uma disputa interna. As diferenças de desempenho nas pesquisas acabam gerando comparações e, em alguns momentos, disputas por espaço político e rusgas entre apoiadores. Vale lembrar que esse comportamento caminha na direção oposta à construção de uma dobradinha eficiente, cuja principal característica é justamente a cooperação.
O cenário atual, portanto, pode ser resumido da seguinte forma: na direita, a dobradinha não se consolidou; no centro, a estratégia de candidatura isolada parece estar produzindo resultados; e na esquerda existe um diferencial competitivo disponível, mas que ainda enfrenta obstáculos provocados pelas divisões internas.





