100 DIAS PARA A ELEIÇÃO: O favoritismo de Allyson e as ameaças que podem mudar a eleição

Faltando 100 dias para a eleição, vamos analisar a fotografia atual da pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado pelo União Brasil.

A grande vantagem de Allyson é liderar as pesquisas há cerca de um ano. Ele se beneficiou da intensa divulgação de sua gestão em Mossoró, principalmente por meio das redes sociais. Allyson é uma espécie de Sílvio Santos da política potiguar: tornou-se uma celebridade e é festejado por onde passa.

Essa liderança consistente nas pesquisas o coloca como o principal favorito para vencer a eleição. Mas isso não significa ausência de riscos. Pelo contrário, justamente por liderar, é quem tem mais a perder.

Vejo vários pontos positivos em sua pré-campanha. Allyson conseguiu dar conteúdo ao debate, seja com o projeto “167 Razões”, seja com o “Desenvolve RN”. Criou uma conexão com os municípios e passou a mensagem de que conhece a realidade do Estado.

Outro aspecto positivo é que Allyson tem conteúdo. Tem o que dizer ao eleitor. Consegue vender sua gestão à frente da Prefeitura de Mossoró e dispõe de uma estrutura robusta, com grandes partidos, recursos do fundo eleitoral e, provavelmente, o maior tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Mas existem riscos.

Identifico dois principais. O primeiro é a polarização. O segundo é uma eventual perda da confiança do eleitor.

A polarização é uma realidade. De cada dez eleitores de Lula no Rio Grande do Norte, cerca de quatro dizem votar em Allyson. O mesmo acontece entre os eleitores de Flávio Bolsonaro no campo da direita. Ou seja, Allyson reúne mais apoio entre os eleitores desses dois polos do que os próprios candidatos identificados com cada campo.

Naturalmente, a intensificação da polarização tende a alterar esse cenário. À medida que Cadu Xavier crescer entre os eleitores de Lula, quem mais tende a perder votos é Allyson. Afinal, quem lidera é quem mais tem espaço para perder. O mesmo vale para o eleitorado bolsonarista: se Álvaro Dias conseguir fidelizar melhor esse segmento, Allyson também poderá perder parte desse apoio.

O outro fator de risco é uma eventual quebra da confiança. Até agora, o eleitor parece continuar acreditando em Allyson, mesmo diante dos fatos que vieram à tona durante a operação da Polícia Federal. Mas essa é uma variável difícil de controlar. Se surgir algum fato novo que comprometa essa relação de confiança — seja por identificar alguma mentira ou um envolvimento mais grave —, o impacto sobre sua candidatura poderá ser significativo.

Não acredito que a estratégia dos adversários de tentar desconstruir a gestão de Allyson em Mossoró produza grandes resultados. Não produziu até agora e, sinceramente, não há sinais de que produzirá daqui para frente. Na minha avaliação, apenas um fato novo capaz de romper a confiança do eleitor teria potencial para alterar o cenário atual.

Concluindo, entendo que Allyson é hoje o franco favorito ao Governo do Estado. Não vejo, neste momento, seus adversários com poder de fogo suficiente para derrotá-lo. Ainda assim, existem dois fatores que merecem atenção: os efeitos da polarização sobre seu eleitorado e, principalmente, a possibilidade de surgirem novos fatos nas investigações da Polícia Federal que possam abalar a confiança construída junto ao eleitor.

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