Hoje faltam 100 dias para a eleição. Vou analisar o estágio em que se encontram, neste momento, os três principais candidatos ao Governo do Estado.
Entre eles, Álvaro Dias é o candidato menos carismático. Tem uma boa estrutura, conta com o apoio de muitos prefeitos, mas não consegue transmitir emoção. Álvaro conduz uma campanha sem tempero.
O eleitor vota muito pela emoção. Vários fatores influenciam esse processo: a empatia do candidato, a construção da confiança e a identificação ideológica. Álvaro transmite uma sensação de quem não envolve.
Nas pesquisas, ele tem praticamente o mesmo tamanho que possuía em fevereiro, quando Rogério Marinho anunciou sua desistência e o lançou como candidato do PL ao Governo. De lá para cá, não cresceu. Seguiu em linha reta.
Não há dúvida de que Álvaro largou com boa estatura política. Por vários motivos: o recall de sua passagem pela Prefeitura de Natal, a transferência imediata do eleitor bolsonarista e a estrutura que já estava montada para a candidatura de Rogério. O problema é que ele tem dificuldade para ir além desse ponto de partida.
Sua pré-campanha vem sendo marcada por falas enfadonhas, dificuldade para argumentar sobre temas sensíveis e irritação diante de entrevistadores. Dá sono ouvi-lo. Falta empolgação, firmeza na defesa de suas bandeiras e capacidade de desenvolver raciocínios consistentes. Além disso, seu discurso se tornou bastante repetitivo.
Na tentativa de dar mais identidade à campanha, sua equipe de marketing lançou o programa “Endireita RN”. Confesso que não gostei da estratégia.
Ao que parece, o slogan trabalha com dois conceitos. O primeiro é “endireitar” o Estado, no sentido de consertar o Rio Grande do Norte. O segundo é um convite para que o eleitor se posicione à direita no campo ideológico.
Ora, se Álvaro já consolidou o eleitor bolsonarista e precisa conquistar o eleitor de centro — justamente onde está boa parte do eleitorado de Allyson Bezerra —, essa estratégia pode produzir o efeito contrário ao desejado. O eleitor de centro, em geral, não simpatiza com a guerra ideológica e não quer ser identificado nem com a direita nem com a esquerda. Nesse sentido, o “Endireita RN” parece dialogar apenas com quem já está convencido.
É claro que a falta de carisma e uma campanha insossa não significam que a disputa esteja perdida. Basta lembrar da campanha de Paulinho Freire em Natal, em 2024, que venceu muito sustentado pela estrutura política.
Só que uma eleição municipal é diferente de uma eleição para governador, envolvendo 167 municípios com realidades políticas distintas. Mesmo com o apoio de cerca de 100 prefeitos e uma máquina eleitoral funcionando nos municípios, essa força tem um peso relativo.
Numa eleição majoritária para o Governo do Estado, entram em cena muitos outros elementos, entre eles a polarização e, principalmente, a capacidade de vincular-se emocionalmente com o eleitor. Não é apenas um voto construído pela estrutura política; é, sobretudo, um voto movido pela emoção.
Entendo que Álvaro precisa, com urgência, oferecer ao eleitor razões para criar uma conexão emocional com sua campanha. O voto ideológico ele já possui desde o primeiro dia. Mas isso, sozinho, é insuficiente. O desafio agora é criar empatia e conquistar quem ainda não se identifica naturalmente com sua candidatura.




