Estamos chegando ao fim da pré-campanha. A partir de 20 de julho começam as convenções partidárias, que marcam a transição para a campanha eleitoral.
Considero como pré-campanha o período entre 4 de abril — quando se encerraram a janela partidária e o prazo para desincompatibilizações — e o início das convenções. E a pergunta é: quem aproveitou melhor esse período? Quem avançou, quem ficou parado e quem perdeu oportunidades? É essa análise que faço a seguir.
ALLYSON BEZERRA
Entre os três principais pré-candidatos, Allyson Bezerra foi quem melhor estruturou um projeto de ocupação política e construção de imagem. O projeto “167 Razões” deu identidade às visitas aos municípios e ajudou a ampliar sua presença no interior.
O marketing exagerou ao associá-lo a um super-herói, tornando algumas ações excessivamente teatrais. Ainda assim, a estratégia gerou grande visibilidade nas redes sociais e aumentou seu nível de conhecimento junto ao eleitorado.
Nas pesquisas, porém, Allyson pouco mudou. Continua na faixa de um terço das intenções de voto, segundo a média dos levantamentos. Ganhou exposição, mas não conseguiu transformar esse crescimento de imagem em avanço eleitoral, o que ainda impede falar em favoritismo consolidado.
ÁLVARO DIAS
Álvaro Dias encerra a pré-campanha praticamente no mesmo patamar em que começou, mantendo cerca de um quarto do eleitorado. Mais preocupante do que o percentual é a ausência de crescimento ao longo dos últimos meses.
Na construção de imagem, passou a impressão de ser o menos preparado entre os três para discutir os problemas e o futuro do Estado. Seus discursos são superficiais, recorrem a argumentos óbvios e demonstram pouca consistência.
Também atravessou toda a pré-campanha respondendo às críticas sobre obras inacabadas de sua gestão. Nem a escolha de Babá Pereira como vice nem o apoio de quase 100 prefeitos foram suficientes para impulsionar sua candidatura.
CADU XAVIER
Cadu Xavier foi quem mais cresceu nas pesquisas durante a pré-campanha, mas esse avanço precisa ser relativizado pelo baixo ponto de partida. Saiu da faixa de 2% a 3%, chegou a cerca de 10% no início do ano e hoje aparece pouco acima dos 15%, segundo a média das pesquisas.
Mostrou preparo para debater os principais temas do Rio Grande do Norte e desenvolveu boa argumentação na defesa do governo Fátima Bezerra e das bandeiras do PT.
Seu principal erro, porém, foi não aproveitar a pré-campanha para construir uma identidade própria. A candidatura ficou excessivamente vinculada ao governo estadual e a Lula, sem apresentar um projeto, uma narrativa ou uma marca capaz de diferenciá-lo perante o eleitorado.





