Quando João Maia, Benes Leocádio e Robinson Faria fizeram suas contas e concluíram que a presença ou não de Kelps Lima na nominata não alteraria o resultado final, a pergunta que fica é: eles fizeram essa conta corretamente?
Segundo o próprio Kelps, os três deputados se recusaram a cumprir os acordos firmados com ele, sob o argumento de que, com ou sem sua participação, a nominata elegeria apenas dois deputados federais. Por isso, não demonstraram preocupação com sua desistência.
Vamos, então, analisar a situação a partir da lógica de João, Robinson e Benes.
Pelas projeções do grupo, os três deputados somariam cerca de 400 mil votos. Sem Kelps na chapa, estimam que os demais integrantes da nominata acrescentariam aproximadamente 50 mil votos, totalizando 450 mil.
Considerando um quociente eleitoral em torno de 240 mil votos para deputado federal em 2026 — número utilizado nas projeções dos próprios partidos —, esses 450 mil votos garantiriam uma vaga pelo quociente e deixariam uma sobra de cerca de 210 mil votos, patamar razoável e que poderia ser suficiente para conquistar uma segunda cadeira pelas sobras.
Na avaliação deles, com Kelps na nominata o grupo poderia acrescentar mais 100 mil votos e chegar a aproximadamente 550 mil votos. Nesse cenário, elegeria dois deputados diretamente pelo quociente eleitoral, mas teria uma sobra de apenas 70 mil votos, insuficiente para disputar uma terceira vaga.
O ponto central dessa estratégia, porém, está em uma única pergunta: uma nominata formada basicamente por três candidatos fortes, mas com pouca força na base da chapa, conseguirá realmente atingir a marca de 450 mil votos?
Esse é o risco do cálculo. Se João Maia, Robinson Faria e Benes Leocádio não alcançarem os 400 mil votos projetados, a conta deixa de fechar. Nesse cenário, a nominata pode perder competitividade, e a possibilidade de eleger apenas um deputado deixa de ser uma hipótese remota para se tornar um risco concreto.





