Antes de começar, é importante esclarecer que o título não pretende induzir a conclusões sobre acordos políticos não republicanos. A proposta é refletir sobre quais foram as condições políticas estabelecidas entre Ezequiel Ferreira e Rogério Marinho e que tendem a definir a relação entre os dois grupos daqui para frente.
O entendimento político entre ambos é absolutamente normal. O que não parece razoável é imaginar que o apoio do PSDB ao projeto liderado pelo PL tenha ocorrido apenas porque Ezequiel e seu grupo concluíram que a chapa Álvaro Dias/Babá Pereira apresentava as melhores propostas. Na política, as decisões costumam ser influenciadas por fatores que vão além do discurso público.
Sob uma perspectiva mais pragmática, o PL não tinha espaços disponíveis na chapa majoritária para oferecer ao PSDB. Ao mesmo tempo, o PSDB também não demonstrava preocupação em indicar o candidato a vice-governador ou um suplente ao Senado. É provável, portanto, que a conversa tenha seguido por outro caminho.
O primeiro deles é a expectativa de poder. Toda decisão de apoio leva em consideração a possibilidade de influência em um eventual governo. Essa expectativa deixou de existir em relação ao PT e passou a existir no projeto encabeçado por Álvaro Dias. Esse parece ser o primeiro elemento da negociação.
Outro ponto relevante envolve a Assembleia Legislativa. O comando do Legislativo sempre foi um dos principais interesses políticos de Ezequiel Ferreira. Não por acaso, Rogério Marinho entrou diretamente na negociação. Pela liderança que exerce dentro do PL, ele tinha a autoridade necessária para discutir esse tema e oferecer garantias em nome do grupo político.
É possível que tenha havido algum entendimento sobre esse assunto. Se a negociação envolveu a presidência da Assembleia, espaços na Mesa Diretora, uma divisão de forças ou mesmo um compromisso para o segundo biênio da próxima legislatura, ninguém sabe. Mas essa é uma hipótese politicamente plausível.
Como toda negociação dessa natureza, os detalhes permaneceram restritos aos envolvidos e dificilmente serão conhecidos com precisão.
Na nota divulgada após a decisão, Ezequiel afirmou que o apoio foi definido de forma majoritária pelo PSDB, reforçando que se trata de uma decisão partidária. Também destacou que a defesa dos interesses do Rio Grande do Norte e do povo potiguar permanece acima de qualquer disputa política.
O roteiro está definido. O acordo foi consolidado. O PSDB deixa o palanque da esquerda e passa a integrar o palanque da direita na disputa pelo Governo do Estado.





