Os primeiros 100 dias de Marcos Medeiros em Mossoró: gestor, sincerão e menos político

Marcos Medeiros, atual prefeito de Mossoró, completou recentemente 100 dias no cargo. Ele era vice-prefeito de Allyson Bezerra e assumiu a Prefeitura após a renúncia do então prefeito para disputar o Governo do Estado.

A avaliação possível sobre esses primeiros 100 dias ainda é limitada. A imagem de Marcos acabou ofuscada pelo período da Copa do Mundo e pela pré-campanha eleitoral. Neste momento, ainda há poucos olhares voltados exclusivamente para sua gestão.

Eu mesmo procurei ouvir algumas pessoas sobre essa avaliação, e a resposta foi praticamente unânime: “Ainda não sei avaliar”. Essa dificuldade decorre dos fatores já citados, mas, principalmente, do estilo adotado por Marcos, que tem optado por uma exposição pública bastante discreta.

Hoje, qualquer análise sobre Marcos Medeiros inevitavelmente passa por uma comparação com Allyson Bezerra. E acredito que há uma distinção clara entre os dois. Meu entendimento é que Allyson era um político nas vestes de gestor, enquanto Marcos é um gestor nas vestes de político.

Explico.

Allyson sempre teve um perfil fortemente midiático. Sua gestão era pensada também sob a ótica da comunicação e da exposição pública. Havia um evidente cuidado em transformar ações administrativas em conteúdo para divulgação.

Marcos Medeiros, por sua vez, transmite a imagem de alguém que acorda e vai dormir pensando na gestão. Nas entrevistas concedidas até agora, suas respostas são direcionadas às ações administrativas, aos projetos e às entregas. Não se percebe uma preocupação com a promoção da própria imagem ou com frases de efeito.

Faço aqui um registro importante. Não tenho relação pessoal com Marcos. Estive com ele poucas vezes, apenas nos cumprimentamos, e minha avaliação se baseia exclusivamente nas entrevistas que concedeu e nas notícias publicadas sobre sua atuação.

O aspecto que mais chama atenção é sua espontaneidade. Marcos não costuma recorrer a respostas elaboradas para escapar de perguntas difíceis. Pelo contrário, frequentemente responde de forma direta e sincera.

Ainda não é possível saber como será Marcos quando a disputa eleitoral de 2026 tiver passado e os holofotes estiverem voltados para uma eventual sucessão em 2028. Resta saber se manterá esse perfil espontâneo, se incorporará as estratégias tradicionais da política ou se será levado a construir uma imagem mais calculada.

Se a sinceridade parece ser sua principal marca nesses primeiros 100 dias, isso não significa, necessariamente, que já seja possível avaliar os resultados da gestão. Ainda há poucas entregas capazes de servir como parâmetro. A dúvida permanece: isso ocorre porque o tempo ainda é curto para apresentar resultados ou porque falta o componente político de maior exposição? Essa resposta ainda virá com o tempo.

Os adversários certamente tentarão associar Marcos ao rótulo de “pau mandado” de Allyson Bezerra. Esse deverá ser um dos principais desafios políticos que enfrentará após a campánha. A forma como responderá a essa narrativa ainda é uma incógnita. Até aqui, sua principal estratégia parece ser concentrar esforços na gestão.

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