Governadora definirá se demite ou mantém aliados de Ezequiel na estrutura estadual

A governadora Fátima Bezerra decidirá nos próximos dias se manterá, na estrutura do Estado, todas as indicações feitas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, ou se promoverá uma ampla substituição, nomeando pessoas politicamente alinhadas ao seu grupo.

A decisão representará um sinal aos aliados sobre a postura que pretende adotar neste período eleitoral: exigir compromisso e alinhamento com o projeto político do governo ou admitir exceções diante das diferentes realidades criadas por uma disputa complexa e com muitos cargos em jogo.

Atualmente, Ezequiel é, individualmente, o principal detentor de cargos na estrutura estadual. Ele possui indicados em praticamente todos os setores estratégicos do governo, ocupa secretarias e mantém influência sobre diversas outras áreas da administração.

Como um dos principais sustentáculos da base governista na Assembleia Legislativa, Ezequiel tornou-se uma espécie de intocável dentro da estrutura administrativa. Secretários evitavam contrariá-lo, e seus encaminhamentos eram tratados como prioridade.

Há, porém, outras situações em que Fátima optou por preservar espaços ocupados por políticos que hoje não integram sua base. É o caso do deputado Kléber Rodrigues (PP), principal articulador da campanha de Allyson Bezerra, que manteve acesso à estrutura do governo em razão do apoio à pré-candidatura de Samanda Alves ao Senado.

O tratamento que a governadora dará aos indicados de Ezequiel será visto como um importante sinalizador político. Dentro do PT, há quem demonstre desconforto ao ver antigos aliados trabalhando para derrotar o governo enquanto continuam utilizando a estrutura estadual para fortalecer seus projetos eleitorais.

No caso de Ezequiel, tanto o apoio ao pré-candidato ao Governo quanto aos pré-candidatos ao Senado será direcionado exclusivamente à oposição, sem contemplar nomes da base governista. Ainda assim, existe o entendimento de que manter seus indicados nos cargos poderia preservar uma convivência institucional harmoniosa com a Assembleia Legislativa até o fim do mandato, evitando um desgaste político neste momento.

Ezequiel não entregou os cargos automaticamente ao comunicar pessoalmente à governadora que passaria a integrar um palanque de oposição. Limitou-se a dizer que Fátima ficaria à vontade para tomar a decisão que considerasse mais adequada. Nos bastidores, a interpretação é de que o gesto representou uma tentativa de manter seus espaços na estrutura do governo enquanto constrói seu novo posicionamento político.

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