Styvenson assume estratégia para manter espaço político e provoca comparação com Allyson

O senador Styvenson Valentim admitiu a possibilidade de indicar sua irmã, Anne Kelly Valentim, como primeira suplente em sua chapa ao Senado. Segundo ele, trabalha atualmente com três opções de nomes, entre elas o da própria irmã.

Questionado sobre a aparente contradição entre essa possibilidade e seu histórico discurso contrário ao nepotismo na política, Styvenson afirmou que mudou de entendimento sobre o tema. “Hoje eu penso que o vínculo familiar não deve impedir pessoas qualificadas de exercer determinadas funções”, justificou.

O senador também foi direto ao explicar a motivação política da possível escolha. Ele reconheceu que pretende disputar o Governo do Estado em 2030 e, caso isso aconteça, deseja que sua vaga no Senado seja ocupada por alguém de sua confiança, que dê continuidade ao trabalho desenvolvido em seu mandato.

É possível contestar os argumentos de Styvenson e sua mudança de posição sobre o tema. Faz parte do debate político. No entanto, não se pode deixar de reconhecer a franqueza do senador ao admitir que a decisão atende a um planejamento político. Nesse aspecto, ele adota uma postura diferente da maior parte da classe política, que raramente expõe de forma tão clara os objetivos estratégicos por trás de suas escolhas.

Trata-se de uma estratégia de preservação de espaço político, prática bastante comum no cenário eleitoral.

Na minha avaliação, Styvenson deverá optar pela irmã como suplente, justamente por representar uma garantia para seu projeto político. Situação semelhante pode ser observada na estratégia adotada por Allyson Bezerra ao lançar a candidatura de sua esposa, Cínthia, à Assembleia Legislativa, o que preservaria um espaço político caso ele seja derrotado na disputa pelo Governo do Estado.

A diferença, sob esse ponto de vista, é que Styvenson admitiu publicamente a motivação política de sua escolha. Allyson, não.

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