Allyson chama Fátima de “caloteira”, Cadu devolve mirando Robinson e Allyson solta a mão do aliado

A discussão política do momento gira em torno do atraso no pagamento de aposentadorias e pensões por parte do Governo do Estado. Diante da crise, a justificativa apresentada pelo governo foi a única possível: faltou dinheiro em caixa.

O tema rapidamente ganhou força nas redes sociais, impulsionado principalmente por um vídeo do candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, que classificou de forma contundente a governadora Fátima Bezerra como “caloteira”.

O capítulo seguinte da disputa veio com a resposta do também candidato ao Governo, Cadu Xavier. Em outro vídeo, ele chamou atenção para a ironia de Allyson utilizar esse argumento. Segundo Cadu, o verdadeiro “caloteiro” estava em seu próprio palanque: o ex-governador Robinson Faria, cuja gestão terminou deixando quatro folhas salariais em atraso.

É evidente que essa é uma discussão intensificada pelo ambiente eleitoral. Para Allyson, é politicamente conveniente explorar a crise financeira enfrentada pelo governo estadual. Da mesma forma, tenta minimizar o significado de dividir o palanque com Robinson Faria enquanto promete, ao lado dele, respeito ao servidor público.

Isso não significa relativizar o atraso no pagamento dos aposentados e pensionistas. Trata-se de um fato grave, que atinge diretamente a credibilidade da gestão de Fátima Bezerra, justamente porque um de seus principais argumentos políticos sempre foi o de nunca atrasar os salários dos servidores. O episódio acende um alerta sobre a situação das finanças estaduais e levanta dúvidas quanto à possibilidade de novos atrasos.

Por outro lado, também não é razoável imaginar que o discurso de Allyson passe sem ser confrontado pelas próprias alianças que construiu e pelas consequências políticas delas decorrentes. Chamar o governo de “caloteiro” enquanto percorre o Estado em campanha ao lado de Robinson Faria, responsável por deixar quatro folhas salariais em atraso, representa uma contradição difícil de ignorar.

Essa, aliás, não é a única incoerência explorada pelos adversários do candidato. Allyson critica a demora na emissão de licenças ambientais pelo Idema, enquanto, em Mossoró, empresários da construção civil reclamam da morosidade para obter licenças municipais. Também condena o aumento do ICMS promovido pelo Governo do Estado, embora sua gestão tenha promovido um reajuste significativo do IPTU na capital do Oeste.

O debate sobre a situação financeira do Estado é legítimo e necessário. A campanha eleitoral é o momento adequado para que os candidatos apresentem propostas e assumam compromissos capazes de enfrentar esse problema.

O que não se pode confundir é compromisso com oportunismo. São conceitos distintos e, no julgamento do eleitor, essa diferença pode fazer toda a diferença.

O CONTRA-ATAQUE

Após o vídeo de Cadu, a campanha de Allyson passou a disseminar, por meio de blogs aliados, a narrativa de que, ao acusá-lo de estar aliado a Robinson Faria, o grupo da governadora esquecia que o próprio Robinson contou com o apoio do PT para chegar ao Governo do Estado.

Na tentativa de transformar o ataque em um efeito bumerangue, Allyson acabou, na prática, soltando a mão de Robinson. Em vez de defender o aliado, que se tornou um alvo fácil para os adversários, o ex-prefeito de Mossoró preferiu deslocar o foco da discussão, argumentando que o PT também se aliou, no passado, a quem hoje critica. A estratégia acabou deixando Robinson sem qualquer defesa direta diante das acusações.

Compartilhe agora:

MAIS POSTS