Três pesquisas, o mesmo movimento: por que Cadu Xavier disparou? Crescimento real ou efeito do nome de Lula?

O debate político neste momento gira em torno da subida acentuada de Cadu Xavier em três pesquisas consecutivas divulgadas nos últimos dias.

Na pesquisa Metadata, Cadu subiu de 8,7% em junho para 17,1%. Um aumento de quase 100% de uma pesquisa para a outra.

Na pesquisa do Instituto Agora Sei, ele passou de 11,4% em junho para 18,1%, um crescimento de quase 7 pontos percentuais.

Já na pesquisa do Instituto Seta, subiu de 10,9% em junho para 19,6%, um avanço de quase 9 pontos.

O que está dominando o debate é a causa desse crescimento. Existem várias explicações, mas a que parece ganhar mais força neste momento é o uso do nome “Cadu de Lula”, adotado pelos institutos nos questionários. Dessa forma, a própria pergunta já estimula o entrevistado a fazer uma associação entre Lula e Cadu.

A explicação parece razoável.

Outra questão é saber se esses três resultados consecutivos representam apenas um momento isolado, um ponto fora da curva. Essa tese, porém, perde força diante do fato de que três institutos diferentes registraram o mesmo movimento de crescimento. Se fosse apenas um erro isolado de uma pesquisa, dificilmente o fenômeno se repetiria em três levantamentos distintos.

Outra vertente de análise é a possibilidade de as pesquisas refletirem o desempenho de Cadu no debate realizado no domingo pela Band TV. Isso não é possível, porque as entrevistas dos três institutos foram realizadas antes do debate.

Acredito que a tese de que o nome “Cadu de Lula” tenha influenciado as respostas seja, neste momento, a mais provável. É um elemento capaz de ajudar a explicar o movimento, até porque, em pesquisas anteriores nas quais o nome “Cadu de Lula” foi testado, também houve crescimento acentuado das intenções de voto no candidato.

Ainda assim, não arrisco afirmar que esse crescimento esteja consolidado, mesmo considerando que três institutos já detectaram uma reação do eleitor à novidade do nome. É preciso acompanhar novas pesquisas, de diferentes institutos, ou até mesmo uma segunda rodada de levantamentos realizados pelos mesmos institutos citados.

Existem cinco pesquisas registradas com divulgação prevista para os próximos quatro dias. Com esses novos números, será possível avaliar melhor se estamos diante de uma tendência ou de uma oscilação momentânea.

Para concluir, lembro que o Ministério Público Eleitoral recomendou o não acatamento do nome “Cadu de Lula” para a urna, sob o argumento de que a denominação pode induzir o eleitor. Existe, portanto, a possibilidade de a Justiça Eleitoral determinar a mudança do nome que será apresentado na urna. Caso isso aconteça, os institutos também deverão adequar seus questionários à denominação oficial do candidato.

Por isso, o mais prudente é aguardar as próximas pesquisas e a decisão da Justiça Eleitoral para compreender melhor até que ponto essa questão poderá influenciar o jogo eleitoral.

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