ANÁLISE: faltando 140 dias para eleição, os erros, obstáculos e desafios de Állyson Bezerra

Faltam 140 dias para a eleição. Resolvi escrever, com o olhar do presente, sobre os desafios do futuro para cada um dos palanques que estão sendo formados. O que falta? Quais os obstáculos? Quais os erros?

Vamos finalizar esta análise olhando agora para o palanque de centro: a chamada terceira via, liderada por Alysson Bezerra.

Diferentemente da esquerda e da direita, cujas bandeiras são maiores que os próprios candidatos, no centro o candidato parece ser maior que as bandeiras. Aliás, ainda não está claro qual é, de fato, a principal bandeira desse campo político.

Recentemente, Alysson Bezerra recebeu em sua casa a visita da Polícia Federal durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Celulares, computador e documentos foram recolhidos. Muitos acreditaram que aquilo liquidaria sua candidatura. Não foi o que aconteceu. Dois meses depois, ele segue liderando as pesquisas e permanece como favorito.

Mas há problemas. Alysson não deve imaginar que os efeitos da operação da Polícia Federal já passaram. Pelo contrário: seus adversários vão cuidar para que o desgaste político esteja apenas começando. O que já se sabe, o que ainda poderá surgir e até especulações devem ser explorados durante a campanha. O candidato ainda precisará enfrentar muitos questionamentos públicos.

A candidatura de centro também enfrenta um risco comum em disputas polarizadas. Em cenários de polarização, existem torcidas políticas consolidadas. E quem não entra claramente no jogo da polarização não ganha torcida.

Hoje, Alysson avança sobre eleitores de centro, esquerda e direita. Parte significativa de seus apoiadores se divide entre eleitores simpáticos a Lula e ao bolsonarismo. A dúvida é se conseguirá manter esse equilíbrio quando a polarização eleitoral se intensificar.

À medida que Cadu Xavier crescer entre os eleitores lulistas, a tendência é que Alysson perca espaço nesse segmento. O mesmo pode ocorrer à direita caso Álvaro Dias consiga consolidar o voto bolsonarista. É um cenário de disputa estratégica e delicada.

Outro ponto observado é a forte presença das famílias Alves e Maia no entorno político da candidatura, algo interpretado por adversários como um retorno das oligarquias tradicionais. Até agora isso não parece gerar grande desgaste, principalmente porque o voto em Alysson é fortemente personalista. Muitos eleitores votam mais na figura do candidato do que no grupo político que o acompanha.

A chapa também conta com a senadora Zenaide Maia buscando a reeleição em voo solo. A estratégia foi concentrar forças em sua candidatura, sem construir uma dobradinha mais ampla para o Senado. A decisão possui vantagens e riscos: concentra energia em um nome competitivo, mas deixa o segundo voto do eleitorado livre para adversários.

A maior fragilidade do palanque de centro parece estar nas nominatas proporcionais. Diferentemente do PT e do PL, o grupo ainda possui dificuldades para estruturar chapas fortes para deputado federal e estadual. Na disputa federal, há quatro nomes considerados competitivos e a nominata sequer foi completamente fechada. Na estadual, o cenário é semelhante, com uma meta considerada tímida para um grupo que lidera a corrida ao governo.

Ao contrário de PT e PL, que já enfrentam desgastes nesta fase inicial, o palanque de centro pode ter seus maiores desafios no futuro, durante a campanha oficial. Os efeitos da polarização só serão totalmente medidos durante a campanha e a Operação Mederi tende a voltar ao debate político com força justamente no período eleitoral.

Os desafios centrais da terceira via serão resistir à pressão da polarização e responder aos ataques que certamente virão. Em contrapartida, a candidatura possui um ativo importante: o carisma de Alysson Bezerra. Ele demonstra boa capacidade de comunicação, sabe utilizar sua imagem política e mantém forte presença nas redes sociais.

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