O possível movimento de voto útil em favor de Allyson Bezerra na reta final da campanha

Gosto das pesquisas Metadata. São bem elaboradas e vejo rigor técnico em todos os seus processos.

Segundo a Metadata, o candidato Allyson Bezerra deu um grande salto nas intenções de voto no último levantamento, realizado na semana passada. Pulou de 34% para 43% das intenções de voto. Tenho buscado entender esse salto.

A principal explicação que tenho ouvido é que se trata do eleitor de Álvaro Dias fazendo um movimento do chamado “voto útil”, deixando Álvaro e migrando para Allyson com o objetivo de derrotar o petismo.

Vamos dar uma olhada nessa explicação. Em agosto, 46,4% dos eleitores de Flávio Bolsonaro declaravam voto em Álvaro Dias, enquanto 32,5% diziam votar em Allyson Bezerra. Estou usando dados do próprio Instituto Metadata.

Agora, 49,4% dos eleitores de Flávio dizem votar em Álvaro e 48,9% dizem votar em Allyson.

Considerando que Álvaro também cresceu, passando de 46,4% para 49,4% entre os eleitores de Flávio, não se trata, então, de um caso de derretimento. Está claro que foi o eleitor bolsonarista que estava indeciso que migrou para Allyson.

Vamos fazer esse mesmo recorte sobre o eleitor de Lula no RN. Em agosto, 35% desses eleitores diziam votar em Allyson. Agora são 48,2%. Com relação a Cadu Xavier, em agosto, 28,5% dos eleitores de Lula diziam votar nele. Agora são 42,1%.

O dado numérico é que Allyson Bezerra avançou 16,4 pontos entre os eleitores de Flávio Bolsonaro e 13,2 pontos entre os eleitores de Lula. Esse avanço está vindo do eleitor que estava indeciso.

A conclusão lógica é que o crescimento de Allyson não se deve ao derretimento de Álvaro junto ao eleitor bolsonarista. Se fosse essa a explicação, pela lógica poderia se atribuir também derretimento a Cadu, coisa que não faz sentido nesse momento.

A segunda conclusão é que, a partir desses dados, não existe um argumento lógico que explique, por si só, o salto de Allyson na pesquisa. Por qual motivo Allyson teria avançado tanto no eleitor de Lula também? Alguém sabe a resposta?

Por isso mesmo, reforço a ideia de aguardar pesquisas de outros institutos para verificar se esse mesmo salto será identificado e também a próxima rodada da Metadata para saber se estamos, de fato, diante de uma tendência.

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