Vi e analisei muitas pesquisas nas últimas semanas, especialmente aquelas relacionadas à disputa pelas duas vagas ao Senado. Para mim, ainda permanece muito claro que Styvenson Valentim deve ficar com uma delas.
Sua liderança nas pesquisas tem sido uma constante e, embora tenha apresentado alguma queda nas últimas semanas, nada indica, neste momento, um cenário que comprometa sua reeleição. Considerando mais de um ano ocupando a primeira posição nos levantamentos eleitorais, é razoável concluir que apenas um fato de grande impacto poderia alterar significativamente esse quadro.
Voltemos, então, nossa atenção para a segunda vaga. A situação de Zenaide Maia melhorou consideravelmente após a desistência de Fátima Bezerra. Parte desse crescimento pode ser atribuída à transferência de uma parcela do eleitorado de Fátima, à ampla estrutura política que a senadora possui nos municípios e também ao seu capital político pessoal. Esses fatores contribuíram para que Zenaide passasse a ocupar um novo patamar na disputa.
Ela se consolidou na segunda posição e, em várias pesquisas, abre vantagem considerável sobre os concorrentes que aparecem logo atrás. Ainda assim, sua reeleição não pode ser considerada garantida, embora tenha alcançado uma posição bastante confortável.
Mas quem ameaça hoje a segunda vaga ocupada por Zenaide? Na minha avaliação, apenas um nome apresenta condições reais de fazê-lo: Rafael Motta.
Não acredito que Coronel Hélio consiga entrar efetivamente nessa disputa. A razão é simples: não vejo a direita potiguar com força eleitoral suficiente para eleger os dois senadores. Mesmo com a esquerda dividida, o eleitorado identificado com a direita no Rio Grande do Norte parece representar pouco mais de um terço do total, o que, a meu ver, não seria suficiente para garantir as duas vagas.
Chego agora a um ponto que merece atenção. O campo governista possui hoje dois nomes colocados para o Senado: Rafael Motta e Samanda Alves. Fátima Bezerra anunciou Samanda como sua substituta na chapa, apresentando-a como a candidata de Fátima e de Lula. Desde então, lideranças do governo vêm atuando com dedicação para impulsionar seu nome. Até aqui, porém, os resultados têm sido modestos.
Rafael Motta entrou no tabuleiro há cerca de três semanas e, mesmo sem grande alarde, sem o apoio ostensivo de uma máquina política e enfrentando desconfianças dentro do próprio grupo, rapidamente alcançou a terceira posição na disputa. E há um aspecto interessante nesse movimento: seu crescimento parece ter ocorrido mais pela força do próprio nome e de sua trajetória política do que por qualquer estrutura organizada.
Não pretendo aqui enumerar as qualidades de Rafael Motta. Não é esse o objetivo desta análise. O que me parece evidente, sob a ótica puramente eleitoral, é que ele é hoje o nome do campo da esquerda com maior potencial de competitividade na disputa pelo Senado.
Por isso, em algum momento, o PT e o governo terão de fazer uma escolha: insistir na candidatura de Samanda Alves ou concentrar esforços em Rafael Motta. E essa decisão não poderá ser deixada para os últimos momentos da campanha. Se demorar demais, o tempo político poderá se perder.
Não vislumbro, neste momento, um cenário em que o governismo consiga eleger os dois senadores do Rio Grande do Norte. Pode eleger um. Dois, considero muito improvável. E, dependendo da evolução do quadro eleitoral, das decisões a serem tomadas, existe inclusive o grande risco de não eleger nenhum.





