Cadu na frente e Allyson em terceiro: dá para acreditar nos números da pesquisa da Atlas?

Diante da enxurrada de pesquisas programadas para serem divulgadas nesta semana no RN, os números apresentados ontem pelo Instituto Atlas sobre a corrida pelo Governo do Estado provocaram muitos debates.

Segundo a Atlas, se a eleição fosse hoje, Cadu de Lula teria 37,1% dos votos, seguido por Álvaro Dias, com 27,3%, e Allyson Bezerra, com 27,1%. A pesquisa está registrada sob o número RN-04187/2026, ouviu 1.207 eleitores entre os dias 23 e 28 de setembro e utilizou o método de recrutamento digital aleatório pela internet.

Na pesquisa anterior da Atlas, divulgada em julho, Cadu de Lula tinha 36,3%, Álvaro Dias aparecia com 27,7% e Allyson Bezerra tinha 25,1%.

Como os números ficaram fora da curva em relação a outros levantamentos recentes, que apontam Allyson na dianteira, a primeira reação de muita gente foi atribuir a diferença ao fato de a pesquisa ter sido realizada pela internet.

Mas não é tão simples assim.

A Atlas é um instituto com presença nacional e utiliza uma metodologia própria de recrutamento digital. No primeiro turno da eleição presidencial de 2022, por exemplo, o resultado oficial foi Lula com 48,43% e Bolsonaro com 43,20%. Na última pesquisa Atlas daquele primeiro turno, o instituto apontou Lula com 50,3% e Bolsonaro com 41,1%.

Eu, particularmente, não gosto muito do método de pesquisa pela internet. Mas nem por isso posso afirmar que se trata, necessariamente, de um método mais sujeito a erros do que as coletas presenciais ou por telefone.

Em defesa de sua metodologia, a Atlas explica que os entrevistados são recrutados durante sua navegação de rotina na internet, dentro de territórios geolocalizados e por meio de diferentes dispositivos.

Entre os argumentos apresentados pela empresa está a redução de um eventual impacto da interação humana sobre as respostas. Sem a presença física de um entrevistador, o participante pode responder ao questionário com maior anonimato, reduzindo possíveis constrangimentos ou interferências externas.

Em relação às pesquisas telefônicas, a Atlas também argumenta que seu sistema procura reduzir problemas relacionados à fadiga dos entrevistados e às dificuldades de manutenção de painéis de respondentes.

Dito isso, o ponto que quero discutir é outro: qual a possibilidade de os números apresentados pela Atlas refletirem a realidade eleitoral do RN diante de tantos outros levantamentos que mostram um cenário bastante diferente?

Fui olhar os números da Atlas em outros estados, tentando identificar se levantamentos mais regionalizados poderiam apresentar discrepâncias maiores. Nos estados que pesquisei, porém, encontrei resultados que, de maneira geral, guardavam maior proximidade com levantamentos de outros institutos.

No RN, entretanto, a pesquisa Atlas ficou muito fora da curva em relação às demais pesquisas recentes.

Minha leitura é que alguma característica da amostra ou da metodologia utilizada pela Atlas no RN pode ter produzido um retrato diferente daquele captado pelos demais institutos. Não acredito, neste momento, que o cenário eleitoral esteja exatamente como mostra o levantamento.

Sei que existem pesquisas divulgadas em contextos de interesse eleitoral e político. Mas sei também que, no conjunto de levantamentos que aponta uma realidade diferente da Atlas, existem pesquisas realizadas por institutos reconhecidos e que trabalham com correção.

E elas mostram outra fotografia da disputa.

Neste momento, a quatro dias da eleição, a grande maioria dos levantamentos disponíveis sinalizam liderança de Allyson, indefinição se a eleição termina no primeiro turno ou não e disputa bastante acirrada entre Cadu e Álvaro sobre quem vai para o segundo turno.

Essas indefinições torna especialmente importante acompanhar as últimas rodadas antes da votação e, depois, comparar as pesquisas com o resultado das urnas.

É justamente aí que teremos a resposta definitiva sobre qual fotografia estava mais próxima da realidade eleitoral do Rio Grande do Norte.

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