Existem dois movimentos muito claros na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Allyson Bezerra prioriza, neste momento, o fortalecimento do seu palanque, com a chegada de novos apoiadores, prefeitos e lideranças políticas, incluindo nomes eleitos em 4 de outubro. Enquanto isso, Cadu de Lula aposta fortemente na nacionalização da disputa, buscando vincular sua candidatura ao voto do presidente Lula.
Há também um segundo movimento entre os dois candidatos. Allyson utiliza o marketing para tentar convencer o eleitor de Lula de que não precisa, necessariamente, votar em Cadu para governador. Já o candidato petista aposta nas mobilizações de rua e na identificação política com o presidente Lula.
Podemos resumir o atual roteiro da campanha da seguinte forma:
ALLYSON BEZERRA: fortalecimento do palanque com novas lideranças + tentativa de manter o voto do eleitor lulista.
CADU DE LULA: ampliação do apoio entre os eleitores de Lula + intensificação das mobilizações de rua.
Nesse contexto, os movimentos registrados nas pesquisas sugerem, num primeiro momento, que a estratégia de nacionalização adotada por Cadu pode estar contribuindo para a transferência de eleitores que votaram em Allyson no primeiro turno.
E há um detalhe importante: cada voto transferido diretamente de Allyson para Cadu produz um efeito duplo na diferença entre os candidatos. É um voto a menos para um e um voto a mais para o outro.
Quanto à estratégia de Allyson de atrair lideranças políticas, como Paulinho Freire e prefeitos que apoiaram Álvaro Dias, os levantamentos divulgados até agora não permitem identificar com clareza o impacto dessas adesões sobre as intenções de voto.
A disputa apresenta um componente nacional importante, e os números sugerem que o eleitor não acompanha necessariamente a orientação das lideranças locais. Isso, porém, não significa que o apoio dessas lideranças seja irrelevante.
Existe a possibilidade de que esses aliados intensifiquem sua participação na campanha, mobilizem suas bases eleitorais e utilizem sua capacidade de articulação política para conquistar votos até o dia da eleição.
Por enquanto, um dos fatores centrais da disputa no Rio Grande do Norte parece ser a força eleitoral do presidente Lula e a capacidade dos candidatos de conquistar ou manter o apoio desse eleitorado.
Allyson parece ter identificado a importância desse movimento. Sua comunicação tem buscado mostrar ao eleitor que é possível votar em Lula para presidente e, ao mesmo tempo, escolher Allyson para governador.
Cadu, por sua vez, trabalha no sentido contrário. Sua campanha procura reforçar a associação entre as duas candidaturas, estimulando o eleitor de Lula a também votar no candidato petista para o Governo do Estado.
É possível que os dois candidatos estejam utilizando pesquisas internas para orientar essas estratégias.No fim das contas, apesar das estratégias diferentes, Allyson e Cadu parecem concentrar seus esforços sobre um mesmo segmento do eleitorado: os eleitores de Lula.
Para Cadu, o desafio é ampliar a identificação entre o voto presidencial e o estadual. Para Allyson, é demonstrar que o eleitor pode fazer escolhas diferentes nas duas disputas.
A grande questão deste segundo turno é até que ponto o eleitor de Lula vai vincular seu voto para governador à preferência presidencial ou optar por uma escolha independente.





