Tenho ficado impressionado com a forma como parte da mídia de Natal idolatra Paulinho Freire. Já há algum tempo venho sendo chamado a atenção pelo noticiário sempre que envolve a Prefeitura de Natal. É curioso: Paulinho não erra nunca, não toma uma decisão que não seja imediatamente aplaudida.
Nesse aspecto, eu até o admiro. É o sonho de qualquer governante conseguir tamanha unanimidade na imprensa. Paulinho é isso: tudo o que anuncia ou entrega parece perfeito, impecável.
E escrevo isso sem qualquer interesse pessoal, seja para desejar o bem ou o mal do prefeito. Não o conheço, nunca estive com ele, nunca troquei sequer um bom-dia. Não tenho motivos para gostar ou desgostar.
Mas já fazia algum tempo que eu percebia uma bajulação excessiva. Agora, porém, parece ter extrapolado os limites do bom senso. Por conta de uma lagoa que transbordou em Natal, a mídia que tanto o defende vestiu a armadura, empunhou a lança, ergueu o escudo e partiu para uma defesa sem qualquer pudor.
O curioso é que Paulinho Freire nem precisou dizer uma palavra, de onde estava. Não precisou sequer gastar energia para tomar um gole de café, porque a mídia cativa comprou a briga por ele. Chegou-se ao ponto de culpar um líder comunitário do bairro, acusado de estar há vários anos na função e não ter resolvido o problema.
Veja a que ponto chegamos: Paulinho é tão bem defendido que a culpa recai sobre o líder comunitário — jamais sobre o prefeito. Diante dessa aclamação quase religiosa, dessa unanimidade aparente, começo a pensar que ele é forte candidato a se tornar o próximo santo potiguar.
Movido pela curiosidade, fui olhar as pesquisas de avaliação do prefeito. Imaginei que talvez já tivesse atingido 100% de aprovação.
Para minha surpresa, encontrei dados da AtlasIntel, de dezembro de 2025, apontando que Paulinho era o prefeito mais mal avaliado entre as capitais do Nordeste, com 41% de aprovação. Há também levantamento da Paraná Pesquisas, de setembro de 2025, indicando 65% de aprovação. De qualquer forma, eu esperava índices ainda maiores, considerando a blindagem midiática.
Para boa parte da mídia natalense, Paulinho Freire parece ser perfeito: não erra, não falha, não tem defeitos. Eu só queria entender o que ele fez para se tornar essa unanimidade toda na imprensa da capital.





