A enorme contradição que seria para o PL defender a reeleição de Zenaide

Quero continuar abordando a condição imposta por Rogério Marinho para conversar com Allyson Bezerra em busca de uma união de forças. Rogério avaliou que a aliança do prefeito de Mossoró com a senadora Zenaide Maia é um impeditivo para qualquer abertura de diálogo.

Já tratei aqui que essa exigência funciona como um salvo-conduto para Rogério. Com isso, ninguém poderá acusá-lo de ter sido o responsável por inviabilizar uma oposição unida no RN. Também já destaquei que essa condição é inaceitável para Allyson. Tudo isso está na postagem anterior.

O argumento de Rogério, no entanto, tem lógica e faz sentido político. Quem agiria diferente? Como Rogério, sendo um dos líderes nacionais do PL, poderia defender no Rio Grande do Norte a reeleição da vice-líder do governo Lula no Senado?

Imagine o cenário: Rogério em um debate, criticando duramente o governo do PT — e, de repente, alguém lhe pergunta como ele pode atacar um governo e, ao mesmo tempo, apoiar em seu palanque a vice-líder desse mesmo governo? Não haveria como responder sem cair em contradição. Teria que meter o rabo entre as pernas e se calar.

Embora eu reconheça que a exigência de Rogério é, politicamente, inegociável para Allyson, é inegável que ele apresenta um argumento válido para sustentá-la.

De um lado, seria uma enorme contradição para o PL defender a eleição de Zenaide. De outro, seria politicamente desastroso para Allyson rifar sua aliada — perderia o apoio de um partido de peso, como o PSD, e passaria recibo de infidelidade aos próprios aliados.

Rogério não está inventando problema onde não existe. Ele se apoia numa condição real, legítima — e, ao mesmo tempo, intransponível. Allyson não tem como atender a essa exigência sem se prejudicar seriamente. E é justamente isso que torna o diálogo entre os dois impossível.

Com esse impasse, seguimos para uma eleição com três fortes palanques no Rio Grande do Norte.

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