A fala de Ezequiel Ferreira merecia ser aplaudida de pé na Assembleia. Ele deu uma aula.

“Só quem fala por Ezequiel é Ezequiel.” Essa frase já quase virou um jargão na política potiguar. E Ezequiel falou. Discursou ontem, após a leitura da mensagem da governadora Fátima Bezerra ao Poder Legislativo.

Se eu estivesse ontem na Assembleia, ao final do discurso de Ezequiel teria me levantado para aplaudi-lo de pé. O presidente da Assembleia deu uma aula. Aula de civilidade. Aula de política. Aula de institucionalidade. Aula de respeito ao outro.

A fala de Ezequiel em relação à governadora Fátima Bezerra foi de um respeito que há muito não se via na política do Rio Grande do Norte. Para quem não ouviu Ezequiel falar sobre Fátima, reproduzo abaixo algumas partes de sua fala e, depois, volto ao comentário:

“A governadora é a comandante do Executivo e tem de mim todo o respeito e até a admiração. Ela fez um relato dos avanços do Estado, da dedicação e da luta pelo Rio Grande do Norte, que a Casa Legislativa aguardava exatamente para que pudéssemos iniciar os debates… Parabéns pelo pronunciamento, carregado de serviço prestado ao Rio Grande do Norte, mas também de emoção, traduzida em suas vitórias e conquistas na vida e na política. As pessoas podem até discordar, ter posições antagônicas, mas ninguém pode subestimar alguém que tudo o que foi na vida conquistou pelo voto livre e democrático do povo do Rio Grande do Norte.”

Quero me deter na fala de Ezequiel em relação a Fátima Bezerra. Alguns analistas interpretaram suas palavras como um sinal de alinhamento com a governadora para a eleição indireta.

Pode ser que sim, pode ser que não. Eu não interpretei a fala de Ezequiel como essa sinalização. O que vi foi uma postura institucional, respeitosa e de reconhecimento. Sobre sua posição política, continuo entendendo que ele hoje está mais próximo do palanque de Álvaro Dias do que de qualquer outro.

A lição que Ezequiel deixou é clara: é possível fazer política respeitando as pessoas, sem precisar carregar, de um lado, uma bazuca e, do outro, um chicote. Ele demonstrou que é possível discordar sem perder o respeito. Que é possível ser adversário sem se tornar inimigo.

Infelizmente, criou-se na política a ideia de que, por estarem em lados opostos, vale tudo. Ezequiel deu um exemplo ao reconhecer a trajetória de Fátima — eleita várias vezes deputada federal mais votada, senadora e governadora por duas ocasiões. Tudo conquistado pelo voto livre do povo potiguar. Isso merece respeito.

É claro que Ezequiel tem discordâncias em relação à gestão de Fátima, possui questionamentos, e nada impede que manifeste essas divergências com respeito, mantendo o debate em nível elevado. Mas, essa discordância pode ser exercida sem necessidade de chute na canela.

Lamento muto por quem só consegue fazer política soltando veneno pelo canto da boca. Comprado brigas, dando gritos e fazendo ameaças. A fala de Ezequiel estava carregada de significados de que não precisa ser assim.

Repetindo: se eu estivesse ontem na Assembleia, teria aplaudido Ezequiel de pé. Discordo de muitas de suas posições e já fiz diversas críticas, mas sempre no campo jornalístico.

Parabéns, Ezequiel. Sua fala deixa lições e merece ser lembrada por muito tempo.

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