As chances de o PSDB do Rio Grande do Norte fechar uma aliança com o PT nas eleições de 2026 são, hoje, bem maiores do que as de os tucanos se aliarem ao Partido Liberal. Quem acompanha de perto as negociações entre Ezequiel Ferreira e Fátima Bezerra entende que as conversas avançaram significativamente nos últimos dias.
Na prática, o PT ofereceu ao PSDB a vaga de vice-governador para indicação de um nome tucano — que, neste momento, seria o de Milena Galvão. Em contrapartida, o PSDB deixou claro, nas negociações, que tem interesse na segunda vaga ao Senado.
Ainda não se discutiu sobre essa candidatura ao Senado ou quem o PSDB indicaria para a posição. O PT demonstra resistência a esse acordo sob o argumento de que já possui um compromisso com o PDT, que indicou Rafael Motta para a disputa ao Senado. E que Rafael se mostra um candidato bastante competitivo e com potencial interessante para a campaha.
Um terceiro elemento da negociação envolve a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa em 2027. Ezequiel afirma ter em mãos um parecer jurídico que abriria brecha para uma nova reeleição dele ao comando do Legislativo estadual. Mesmo que o candidato não seja ele, o PSDB quer o compromisso do PT com o nome que o partido vier a apresentar para a disputa.
Pelo que o blog conseguiu apurar, o PT poderia até convencer sobre a segunda vaga ao Senado caso o nome indicado fosse o do próprio Ezequiel. No entanto, essa alternativa não deve se concretizar, já que Ezequiel é considerado o principal puxador de votos da nominata de deputado estadual do PSDB, e sua saída da chapa comprometeria todo o projeto político do partido.
O desfecho dessas conversas entre PT e PSDB caminha para um possível acordo. Os dois partidos já se tratam como futuros aliados, sobretudo porque há muitas convergências de interesses e estratégias. Hoje, a distância entre PSDB e PL aumenta na mesma proporção em que PSDB e PT se aproximam.
Também pesa nesse cenário um ressentimento recente entre Ezequiel Ferreira e Rogério Marinho. Isso porque o senador teria desdenhado de um pedido do PSDB para ocupar a segunda vaga ao Senado. Os tucanos tentaram indicar um nome para compor a dobradinha com Styvenson Valentim, mas Rogério fechou as portas para essa possibilidade.
PT e PSDB também demonstram alinhamento na condução do calendário político. Os tucanos se reuniram e afirmaram que não há pressa para definir a aliança. Alguns dias depois, o PT adotou discurso semelhante, anunciando que a decisão será tomada com calma. Para interlocutores envolvidos nas negociações, isso também é um sinal de sintonia política.





