A corda começa a esticar dentro da base governista no Rio Grande do Norte em meio às definições da chapa majoritária. Nos bastidores, aumentam os vazamentos de conversas que revelam insatisfação de setores aliados com os rumos das negociações políticas.
Um dos principais focos de tensão envolve a composição da suplência ao Senado. Parte dos aliados discorda do acordo firmado no PDT, que prevê Rafael Motta como candidato ao Senado e Jean Paul Prates como primeiro suplente. O argumento é de que o PDT estaria concentrando espaços estratégicos demais dentro da chapa majoritária.
Nos bastidores, há quem avalie que o partido não teria força política suficiente para ocupar duas posições consideradas relevantes, enquanto outras siglas da aliança seguem sem espaço na composição, como seria o caso do PSB.
Outra discussão que começa a ganhar corpo diz respeito à estratégia de lançar ou não dois candidatos ao Senado no mesmo palanque. Integrantes da base questionam se apresentar simultaneamente Rafael Motta e Samanda não acabaria dividindo votos, enquanto a senadora Zenaide Maia permanece sozinha no campo adversário.
Uma parte do PT, no entanto, faz avaliação diferente. O entendimento é de que, além de garantir o primeiro voto ao Senado, é fundamental evitar que o segundo voto do eleitorado migre para Zenaide. Por isso, a legenda considera importante manter dois nomes competitivos na disputa.
As discussões também teriam provocado desconforto em Jean Paul Prates. Segundo relatos de bastidores, o ex-senador não teria reagido bem às articulações que tentam retirar seu espaço como suplente de Rafael Motta. A interlocutores, ele teria sinalizado que, caso isso aconteça, o PDT poderá endurecer a posição e até discutir uma candidatura isolada no Estado.
Por enquanto, as divergências seguem concentradas nas conversas internas e nas articulações reservadas. Ainda não há uma polêmica explícita, mas dirigentes partidários já começam a enxergar sinais de uma divisão mais profunda dentro da base governista.
Fora do PT, aliados sustentam outra leitura para a crise: o receio de que Rafael Motta cresça politicamente na disputa ao Senado e apresente desempenho superior ao de Samanda. Segundo essa avaliação, parte das dificuldades impostas ao PDT teria origem justamente nesse temor eleitoral.
Até aqui, o clima é de tensão controlada. Há apenas algumas centelhas espalhadas pela base governista. Mas, se não houver capacidade de acomodação política, o risco de incêndio interno é cada vez mais evidente.




