Tudo leva a crer que o ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, não terá vida fácil em seu propósito de apresentar ao eleitorado de todo o Rio Grande do Norte os resultados de sua gestão municipal. Está claro que a estratégia do pré-candidato passa por direcionar o debate para uma comparação entre administrações, buscando transformar suas realizações em Mossoró em um ativo eleitoral estadual.
Diferentemente dos mais de seis anos em que esteve à frente da Prefeitura de Mossoró, período em que enfrentou pouca contestação organizada por parte dos adversários, a disputa eleitoral para o Governo do Estado impõe uma realidade completamente diferente. Os concorrentes de Alysson demonstram que não pretendem deixar sem resposta a narrativa construída em torno de sua gestão.
Não por acaso, multiplicam-se nos canais de mídia e nas redes sociais conteúdos questionando ações e resultados da administração mossoroense. Equipes de jornalismo foram deslocadas de Natal para Mossoró com a missão de analisar obras, programas e serviços públicos que passaram a ser apresentados como vitrines da gestão.
A situação do Hospital Municipal foi um dos primeiros temas a ganhar destaque. Enquanto Alysson sustentava que entregou à população de Mossoró uma unidade hospitalar em funcionamento, em contraste com o hospital construído em Natal durante a gestão de Álvaro Dias, que ainda não teria iniciado atendimentos, rapidamente surgiu uma disputa de versões. Diversas reportagens passaram a destacar limitações de funcionamento da unidade mossoroense, especialmente durante a noite e nos finais de semana.
E a ofensiva não para por aí. Até mesmo o Complexo Viário 15 de Março, uma das obras mais emblemáticas da gestão, vem sendo submetido a um escrutínio detalhado. Reportagens recentes destacaram rachaduras em trechos da pista, luminárias apagadas e outros problemas estruturais, numa tentativa de questionar a qualidade e a durabilidade da obra.
Está evidente que os grupos políticos que disputarão espaço com Alysson Bezerra na eleição resolveram confrontar diretamente sua principal credencial eleitoral: a imagem de gestor eficiente. Não se trata apenas de críticas isoladas ou de pautas aleatórias ganhando repercussão. Há uma estratégia organizada de comunicação, na qual cada tema explorado parece cumprir um papel específico dentro da disputa política.
Hospital, complexo viário, aumento do IPTU, insatisfação de servidores, rompimentos com antigos aliados, problemas de limpeza urbana e saneamento. Tudo passou a integrar o debate público e a agenda de reportagens que circulam diariamente nos meios de comunicação e nas redes sociais.
Para Alysson e seu grupo político, porém, existe uma explicação para esse movimento. O ex-prefeito sustenta que há uma articulação organizada para desgastar sua imagem, o que seus aliados classificam como um “Gabinete do Ódio” atuando em Mossoró. A avaliação dentro do grupo é que existe coordenação na definição das pautas e na divulgação dos conteúdos críticos que vêm sendo veiculados em diversos canais de mídia.





