Como a guinada de Walter Alves redesenhou o tamanho do MDB para 2026

Aos poucos, os fatos que levaram à mudança radical nos planos do MDB no Rio Grande do Norte começam a se organizar de forma mais clara. O que antes parecia apenas ruído político hoje revela uma sequência lógica de decisões e recuos que impactaram diretamente o tamanho e o projeto do partido para 2026.

Há mais de um ano, o MDB havia desenhado uma estratégia ambiciosa. O partido trabalhava com a filiação de nove deputados estaduais, o que garantiria a nominata mais robusta para a Assembleia Legislativa, além de uma chapa federal com potencial real de eleger dois deputados. O principal ativo dessa engenharia política era a expectativa de Walter Alves no exercício do cargo de governador.

Foi com base nesse cenário que Walter declinou de uma possível candidatura à reeleição e formalizou o apoio do MDB à candidatura de Cadu Xavier, dentro da aliança com a governadora Fátima Bezerra. O arranjo parecia fechado e funcional: poder, estrutura partidária e perspectiva eleitoral caminhavam juntos.

O cenário começou a mudar com a entrada de fatos novos. Walter passou a demonstrar preocupação com a situação financeira do Estado e foi convencido de que assumiria uma gestão em condições críticas. Nesse contexto, ganhou força a avaliação de que exercer o Governo por apenas nove meses poderia gerar desgaste político sem retorno proporcional. A alternativa apresentada foi outra: disputar uma vaga na Assembleia Legislativa e concentrar esforços na presidência da Casa.

A decisão representou uma inflexão clara. Walter recuou do plano original, e a notícia de que não assumiria mais o Governo passou a tensionar a relação entre MDB e Partido dos Trabalhadores. O noticiário, as declarações públicas e a troca de farpas contribuíram para o desgaste progressivo da aliança.

O ponto central dessa mudança foi a alteração de perspectiva. No primeiro momento, Walter projetava o fortalecimento do partido como estratégia coletiva. No segundo, passou a priorizar seu próprio futuro político. Sem a expectativa do poder, a engrenagem montada para as nominatas começou a ruir.

Deputados que estavam com filiação praticamente ajustada ao MDB — como Dr. Bernardo, Ivanilson Oliveira, Eudiane, Hermano e Galeno — abandonaram o projeto. A avaliação foi pragmática: sem comando do Executivo e com sinais de retração partidária, o risco político aumentava. A percepção era de um MDB encolhendo enquanto seu principal líder cuidava de uma agenda individual.

A consequência mais visível foi a quebra definitiva da relação de confiança entre MDB e PT no Estado. Mesmo que uma aliança formal ainda possa ser mantida por decisão nacional, o ambiente político local já não sustenta uma convivência estável.

A reviravolta também expôs a fragilidade estrutural do MDB. Como admitiu João Maia em entrevista recente, ao revelar o acordo entre PP e MDB, havia um esforço externo para viabilizar a nominata do partido. O MDB, na prática, estava sendo socorrido.

Com os fatos agora mais claros, o cenário que se desenha para 2026 é de incertezas, mas com melhor compreensão do que ocorreu em 2025. A mudança de rota de Walter Alves não apenas alterou seu próprio caminho político, como reduziu drasticamente o alcance do MDB no tabuleiro eleitoral do Rio Grande do Norte.

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