De 78% em 2024 para 56% em 2026: Por que Allyson perdeu força justamente em Mossoró?

O resultado da eleição de domingo em Mossoró permite algumas considerações importantes sobre a força dos grupos políticos na cidade e os caminhos que podem se abrir para 2028.

Allyson Bezerra recebeu cerca de 56% dos votos válidos no município, contra os 78% obtidos há dois anos, quando se reelegeu prefeito. Uma queda de aproximadamente 22 pontos percentuais.

Alguém pode argumentar que são eleições diferentes. De fato, uma disputa municipal e uma estadual têm dinâmicas próprias. Mas essa diferença não torna a comparação irrelevante. Nos dois casos, Allyson enfrentou candidaturas posicionadas à direita e à esquerda: em 2024, Genivan Vale e Lawrence Amorim; agora, Álvaro Dias e Cadu de Lula.

O que os números mostram é que a vantagem de Allyson sobre seus adversários diminuiu consideravelmente dentro de seu principal reduto. A soma de Cadu e Álvaro chegou a cerca de 43% dos votos válidos em Mossoró. Ele continua majoritário, mas já não apresenta a mesma distância em relação aos concorrentes.

Há outros resultados que merecem entrar nessa análise. Cabo Deyvison disputou uma vaga de deputado federal e saiu das urnas com 54 mil votos em Mossoró. É uma votação expressiva, que lhe dá uma base importante para construir um projeto político na cidade.

Na disputa para deputado estadual, a esposa de Allyson recebeu cerca de 32 mil votos, estabelecendo um recorde histórico no município. Ao mesmo tempo, a soma das votações de Isolda Dantas, Jorge do Rosário, Ivanilson Oliveira e Bibiano, nomes com base política em Mossoró, chegou a 52 mil votos.

Esses votos não formam automaticamente um bloco único, nem podem ser transportados integralmente para uma eleição municipal. Mas demonstram que há espaço eleitoral e lideranças com capacidade de mobilização para além do núcleo político de Allyson.

A esse quadro se soma a situação de seu sucessor na Prefeitura, Marcos Medeiros. Nas pesquisas recentes que consultei, sua aprovação aparece, em média, cerca de 30 pontos abaixo das marcas alcançadas por Allyson no auge da gestão. Embora essa comparação também envolva momentos diferentes, a distância merece atenção de quem pretende manter o comando da cidade.

Diante desses elementos, o olhar para 2028 permite imaginar três movimentos.

O primeiro é a consolidação de Cabo Deyvison como um dos principais nomes para disputar a Prefeitura. Sua votação lhe dá credenciais para ocupar esse espaço. Acredito que o PL investirá nele, e não duvido de que sua atuação passe a ser organizada, desde agora, na perspectiva de uma candidatura a prefeito.

O segundo envolve Marcos Medeiros. Como nome natural à reeleição, ele precisará corrigir rumos na gestão e construir sua própria identidade política. Até aqui, a administração continua com a cara, o jeito e o modo de Allyson. Não vejo uma marca própria suficientemente clara.

Seis meses depois de assumir o cargo, já é razoável cobrar sinais dessa identidade. Marcos precisa mostrar ao eleitor o que caracteriza sua gestão e por que merece continuar à frente da Prefeitura. A força do antecessor é um apoio importante, mas não substitui a construção de uma liderança própria.

O terceiro movimento é o fortalecimento da esquerda na cidade. Os cerca de 44 mil votos de Cadu mostram que esse campo mantém uma base relevante em Mossoró. Na minha avaliação, esse resultado alimenta a perspectiva de uma candidatura própria em 2028, com identidade política mais definida.

Nada disso significa que a próxima eleição municipal esteja desenhada. Até 2028, haverá tempo para mudanças, alianças e novas lideranças. Mas os resultados de domingo oferecem um ponto de partida: a disputa pelo poder em Mossoró pode ser mais aberta do que foi há dois anos.

Para o presente, a conclusão que considero mais importante é que Allyson perdeu terreno eleitoral em sua cidade. Continua forte, mas sua vantagem diminuiu, enquanto outros nomes demonstraram capacidade de conquistar votos.

A grande pergunta é: por que Allyson perdeu força justamente em seu principal reduto?

Cada um pense sua resposta.

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