Enquanto o PT está jogando tudo pra ganhar a eleição do mandato-tampão, a oposição dorme em campo

Procurei levantar as últimas informações sobre os movimentos dos partidos em torno da eleição indireta no Estado, que escolherá aquele que cumprirá o mandato-tampão de governador entre maio e dezembro deste ano. Meu objetivo era identificar quem avançou mais nesse processo.

De tudo o que apurei, a sensação é uma só: apenas o PT está tratando o assunto como prioridade. A governadora Fátima Bezerra conduz as conversas pessoalmente e já realizou uma série de contatos para garantir os votos necessários. Durante todo o Carnaval, Fátima esteve em intensa agenda política. Andou bastante. E conversou bastante.

No União Brasil e no PP, o tema simplesmente não parece existir. A articulação é inexistente. O próprio pré-candidato ao Governo, Allyson Bezerra, afirmou de forma clara que esse assunto não está em sua pauta. Allyson acredita que Fátima não renunciará e, por isso, sustenta que só tratará do tema no dia em que a governadora formalizar a renúncia. Antes disso, não.

No PL, o cenário é semelhante. Rogério Marinho mantém o foco em Brasília; Styvenson sequer considera o assunto relevante; e Álvaro Dias limita-se a comentar o tema apenas quando provocado em entrevistas.

Tive o cuidado de sondar pessoas próximas e assessores dessas lideranças para verificar se Álvaro, Rogério, Agripino, Allyson e João Maia estariam blefando ao afirmar que o assunto não está na pauta, enquanto se articulam nos bastidores. A confirmação que obtive é que o tema se restringe a conversas esporádicas, sem qualquer gesto concreto. Ou seja, não há mobilização neste momento.

Quanto ao trabalho do PT para eleger o sucessor de Fátima, as informações que recebi indicam que as conversas já realizadas pela governadora tiveram resultados considerados muito positivos.

Em resumo, Fátima já dialogou com diversos deputados e recebeu sinalizações de que, caso o PT apresente um nome que não seja candidato em outubro, as chances de viabilizá-lo são expressivas.

A questão que se impõe agora é saber se as lideranças da oposição realmente só vão olhar para a eleição indireta quando ela se concretizar ou se, antes disso, perceberão o risco e se mobilizarão para evitar que o PT permaneça com a caneta na mão.

Pelo projeto que será votado em breve na Assembleia, a eleição deverá ocorrer exatamente 30 dias após a eventual renúncia de Fátima. Para os partidos que hoje estão de braços cruzados, esse seria o tempo disponível para reagir.

O detalhe é que, no calendário previsto, o prazo para inscrição de chapas será de até cinco dias úteis após a renúncia e a publicação da convocação da eleição. Ou seja, apenas cinco dias para montar uma chapa viável.

No cenário atual, o PT trabalha intensamente para consolidar compromissos de voto e já discute qual nome poderá apresentar, considerando a exigência de que não seja alguém que dispute as eleições de outubro. Neste momento, o deputado Francisco do PT desponta como o nome mais citado nas conversas internas do partido.

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