Entenda os números confusos da Veritá Pesquisas. A diferença entre votos totais e votos válidos

Ontem, o instituto Veritá divulgou uma pesquisa realizada com o eleitorado do Estado no período de 29/03 a 04/04, com 1.220 entrevistados e margem de erro de 3 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TRE-RN sob o número 02256/2026.

O que chamou atenção nos números foi o fato de que, na pergunta espontânea para o Governo, os candidatos citados apresentaram intenções de voto superiores às registradas na pesquisa estimulada — algo pouco comum. Álvaro Dias, por exemplo, aparece com 40,9% na espontânea e cai para 27,5% na estimulada. O mesmo ocorre com Allyson e Cadu, ambos com desempenho maior na espontânea.

Outro ponto relevante é que diversos veículos de comunicação divulgaram os dados sem observar essa aparente distorção. Trata-se de uma situação, no mínimo, incomum em pesquisas eleitorais.

Como a maioria dos portais e blogs apresentou os números por meio de artes e gráficos, sem contextualizar esse comportamento atípico, optei por não divulgar os dados inicialmente e fui ao site da Veritá Pesquisas — um instituto com longa atuação no mercado — para entender o que havia ocorrido.

Foi então que ficou claro que o problema não estava no instituto, mas na forma como os dados foram interpretados e divulgados, sem a devida leitura técnica do relatório.

A Veritá apresenta, em seus relatórios, dois recortes distintos para as perguntas sobre intenção de voto: o primeiro considera o total de respostas; o segundo, apenas os votos válidos, excluindo indecisos, nulos e brancos.

No caso da espontânea, dos 1.220 entrevistados, apenas 24,7% citaram algum nome. Álvaro Dias, por exemplo, teve 10,1% no total da amostra, mas alcança 40,9% quando considerados apenas os votos válidos. Foi exatamente essa diferença que levou a interpretações equivocadas, já que, em geral, pesquisas nesse estágio de pré-campanha não destacam votos válidos na espontânea.

Feita essa explicação, seguem os resultados do Instituto Veritá considerando os votos totais na pesquisa espontânea para o Governo:

Álvaro Dias – 10,1%
Allyson Bezerra – 6,9%
Cadu Xavier – 6,1%
Rogério Marinho – 0,7%
Styvenson Valentim – 0,4%
Fátima Bezerra – 0,3%
Vilma – 0,2%
Natália Bonavides – 0,1%
Nenhum, nulo, branco, não sabe – 75,3%

Agora, os resultados da pesquisa estimulada, também considerando os votos totais:

Allyson Bezerra – 23,1% (29,6% dos votos válidos)
Álvaro Dias – 21,5% (27,5% dos votos válidos)
Cadu Xavier – 20,8% (26,6% dos votos válidos)
Rogério Marinho – 12,0% (15,4% dos votos válidos)
Robério Paulino – 0,7% (0,9% dos votos válidos)
Não sabe – 17,0%
Nenhum, nulo, branco – 4,8%

Os números devem ser interpretados dessa forma. A principal crítica, no entanto, recai sobre a inclusão de Rogério Marinho na pesquisa estimulada. Desde fevereiro, o senador já havia anunciado que não seria candidato, o que torna sua presença no cenário testado pouco aderente à realidade atual.

Por fim, seguem os resultados da disputa para o Senado. Os números já consideram a soma do primeiro e do segundo voto, o que explica o total de 200%:

Styvenson Valentim – 50,0%
Coronel Hélio – 30,6%
Samanda Alves – 25,1%
Zenaide Maia – 20,8%
Jean Paul Prates – 18,1%
Ezequiel Ferreira – 11,7%
Não sabe – 22,8%
Nulo e branco – 20,9%

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