Entre o “dinheiro de vocês” e o “eu investi”: a contradição no discurso de Styvenson

Sempre que se refere ao uso de suas emendas parlamentares, seja na construção de hospitais, no asfaltamento de estradas ou no financiamento de cirurgias eletivas, o senador Styvenson Valentim repete um mantra: tudo está sendo feito com “o seu dinheiro e o meu dinheiro”.

E, a rigor, ele está correto. Os recursos públicos que Styvenson direciona por meio de emendas parlamentares saem do bolso do cidadão através do pagamento de impostos. Não há qualquer dúvida sobre isso.

O problema é que o marketing do senador frequentemente trata as emendas como se os recursos fossem dele, e não da população. Não são raras as vezes em que Styvenson se refere às ações financiadas com dinheiro público como “minha obra”, “meu hospital”, “meu asfalto” ou “minha cirurgia”.

Em um mesmo discurso, ele alerta que o dinheiro utilizado pertence ao contribuinte, mas logo em seguida adota uma narrativa que busca associar a ele próprio o mérito integral das ações realizadas.

Nesta segunda-feira, por exemplo, Styvenson publicou um vídeo em um mutirão de cirurgias eletivas. Nas imagens, conversa com pacientes e pergunta há quanto tempo eles aguardavam na fila para realizar os procedimentos. Em seguida, destaca os valores destinados à iniciativa.

“Só hoje são 40 procedimentos agendados, ou seja, R$ 1,5 milhão de investimento. Fora os R$ 2 milhões lá atrás, fora os milhões que a gente ainda vai investir”, afirmou o senador.

A escolha das palavras deixa evidente a tentativa de personalizar os recursos e reforçar a imagem de quem está promovendo diretamente os investimentos.

O curioso é que, segundos depois, Styvenson procura corrigir essa percepção ao afirmar: “É assim que a gente trabalha, dando transparência. Este dinheiro é de vocês, viu? É de vocês”.

Entre uma frase e outra, porém, surge a contradição. Ao mesmo tempo em que reconhece que os recursos pertencem à população, adota uma narrativa que sugere ser ele o responsável direto por investir um dinheiro que, na verdade, é arrecadado dos contribuintes.

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