“Pobre não precisa estudar, vocês nasceram só pra trabalhar.”
Essa é a frase que vem rendendo discussões pelo Brasil inteiro. Ela aparece em um vídeo editado e espalhado nas redes sociais pela extrema direita, a partir de uma fala do presidente Lula completamente retirada de seu contexto.
O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, também utilizou esse recorte manipulado em suas redes sociais para criticar o governo Lula e apontar um suposto descaso com a educação.
Qualquer pessoa que tenha assistido ao vídeo original de Lula percebe claramente que ele falava sobre o fato de a educação nunca ter sido prioridade no Brasil, citando, inclusive, que o país levou 420 anos para criar sua primeira universidade. Lula explica que isso ocorreu por causa da mentalidade das elites, que historicamente acreditavam que pobre não nasceu para estudar.
Pois bem: se você está entre aqueles que entendem que não há problema algum em retirar uma fala do contexto e sair divulgando como se Lula realmente pensasse isso — ou seja, repassando uma informação mentirosa —, então não deveria se queixar quando a esquerda fizer o mesmo com seus políticos de estimação.
O que quero questionar é essa indústria de fake news alimentada pelo pressuposto de que, se for contra alguém de quem eu não gosto, então tudo bem: pode fazer, não é nada demais. Curiosamente, essas mesmas pessoas ficam profundamente indignadas quando o mesmo método é usado contra seus ídolos. Essa indústria, inclusive, encontra acolhimento em setores do meio religioso, apesar dos frequentes alertas bíblicos sobre a importância de andar na verdade.
Também quero questionar quem recebe esse tipo de conteúdo no celular, sabe que se trata de mentira e manipulação e, mesmo assim, sem o menor pudor, dispara nos grupos para que se propague, usando como justificativa o argumento de que seria um “mal menor” para alcançar um “bem maior”.
Não se trata de discutir quem mente mais, se o grupo A ou o grupo B. O ponto central é que a mentira não deveria prosperar em lugar nenhum. Trata-se de quem sabe que o conteúdo é falso e, ainda assim, não vê problema algum em repassá-lo.
Não pode haver sentimento sincero de justiça naqueles que protestam contra as mentiras disseminadas nas redes sociais, mas que, ao mesmo tempo, são grandes responsáveis pela sobrevivência desse mal — muitas vezes, o que é ainda mais grave, de forma consciente.





