Instabilidade nas nominatas travam acordo e Fátima vai ficar no governo até o fim do mandato

A governadora Fátima Bezerra não deve mais renunciar ao mandato no dia 4 de abril, como estava inicialmente previsto. A decisão está sendo tomada para evitar riscos ao atual mandato. Essa é a conclusão a que chegaram tanto a governadora quanto seu grupo político, após semanas de articulações, sem sucesso, na tentativa de viabilizar um sucessor para o chamado mandato-tampão.

Não apenas Fátima e sua equipe já trabalham com esse novo cenário. Nos demais grupos políticos, a hipótese de renúncia também passou a ser vista como distante e improvável. A possibilidade de uma eleição indireta em abril praticamente deixou de ser considerada.

A intensa movimentação dos partidos e dos deputados estaduais para o fechamento das nominatas desviou completamente o foco das discussões sobre o mandato-tampão. Os parlamentares estão concentrados em definir seus próprios destinos partidários e não demonstram disposição para tratar da eleição indireta neste momento.

Esse é o principal fator que está levando à desistência da renúncia. A instabilidade nas negociações das nominatas, com constantes mudanças e nomes figurando em diferentes listas, impede a construção de acordos sólidos para a eleição indireta.

Um assessor próximo à governadora resumiu o cenário de incerteza: “Com o vai e vem das nominatas, hoje não há sequer garantia de todos os votos dentro da própria base governista, já que alguns deputados podem migrar para outras nominatas”.

A corrida contra o tempo também pesa. O fechamento das nominatas deve dominar as prioridades até o último dia do prazo legal. As mudanças partidárias seguem intensas, com negociações em andamento e um ambiente político instável, dificultando a consolidação de cenários. Nesse contexto, não há como Fátima chegar ao dia 4 de abril com segurança sobre a eleição de seu sucessor.

À primeira vista, pode parecer contraditório que a governadora tenha recuado justamente quando o grupo do pré-candidato ao governo Allyson Bezerra sinalizou abertura para negociação. No entanto, na prática, o cenário é mais complexo.

O deputado Kléber Rodrigues, responsável por conduzir as conversas pela União Progressista, enfrenta dificuldades até mesmo para manter a coesão de sua própria nominata. Isso reduz significativamente a possibilidade de garantias em um eventual acordo.

Além disso, as tratativas iniciais indicaram exigências por parte do grupo de Allyson que não agradam ao governo. Entre elas, a escolha de um nome sem vínculos eleitorais com o PT para assumir o mandato-tampão, como forma de atrair o apoio de setores de centro.

Diante de um cenário político incerto, da prioridade dada à formação das nominatas, das dificuldades em firmar acordos e da falta de garantia de maioria na Assembleia, a governadora Fátima Bezerra decidiu não renunciar. Com isso, seguirá à frente do governo até o fim do mandato.

O anúncio oficial de que Fátima deve ficar no mandato até o final deve ser feito na semana que vem.

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