A federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil, reconheceu que está encontrando dificuldades na formação de sua nominata de deputado federal. O quadro foi narrado pelo deputado João Maia em entrevista à FM 98, em Natal.
“Na nominata de deputado estadual as coisas estão indo bem. Já na nominata federal estamos com dificuldades”, afirmou João. Nos últimos dias, a imprensa já vinha noticiando insistentemente que a federação enfrentava problemas para compor a chapa e que havia a possibilidade de Kelps Lima deixar o grupo.
João confirmou a dificuldade envolvendo Kelps. Indagado se o ex-deputado estaria na nominata da federação, respondeu: “Ele não me disse se ficaria com a gente. Eu estou acreditando que fica, mas ele não me disse”.
O fato de João Maia, principal articulador da nominata, afirmar a esta altura do processo — com o prazo praticamente se encerrando — que não sabe se Kelps Lima permanecerá ou não no grupo revela as complicações que surgiram nos últimos dias.
João avalia que, na eleição de outubro, existirão apenas três nominatas fortes com condições reais de eleger deputados federais no Rio Grande do Norte. Ele não acredita na viabilidade de uma quarta nominata, hipótese levantada com a possibilidade de o Republicanos montar sua própria chapa. Na visão dele, as nominatas consolidadas seriam a do PL, a da federação União Progressista e a da federação PT/PV/PCdoB.
Partindo da premissa de que apenas três nominatas terão força eleitoral, João considera que não restará outro caminho para Kelps Lima senão permanecer no grupo atual. Há uma tentativa de viabilizar uma quarta nominata pelo Republicanos, mas João Maia demonstra ceticismo quanto à sua concretização.
O deputado não comentou a possibilidade de Kelps migrar para a nominata do PL, embora integrantes do Partido Liberal avaliem que a chegada dele poderia garantir a eleição de pelo menos três deputados, com chances de conquistar uma quarta vaga.
A principal dificuldade da federação formada por União Brasil e PP é a falta de pré-candidatos que atuem como “esteira” eleitoral — nomes capazes de somar votos e fortalecer o desempenho coletivo da chapa. O grupo também enfrenta dificuldades para compor candidaturas femininas. Os nomes ventilados para cumprir esse papel não são considerados competitivos, o que compromete a soma de votos necessária para alcançar mais cadeiras.
O cálculo feito por Kelps Lima é que, sem uma esteira competitiva, a federação conseguiria eleger apenas dois deputados, e ele próprio poderia ficar de fora, juntamente com um dos atuais parlamentares de mandato.
Esse temor também passou a influenciar o deputado Benes Leocádio, que compartilha da mesma avaliação e considera difícil sua reeleição caso Kelps deixe o grupo e a nominata permaneça sem a esteira necessária.
Por isso, Benes também cogita deixar a federação caso se concretize a tentativa liderada por Kelps de viabilizar, às pressas, uma quarta nominata no Republicanos.
Ao final, caso essa quarta nominata não se concretize, tanto Benes quanto Kelps tendem a permanecer na federação formada por PP e União Brasil. Outra alternativa seria tentar, na última hora, um acordo com o PL para disputar uma vaga na nominata liberal.





