Mais do que tempo de TV: entenda o interesse do PT no PSDB e no PSOL/Rede

A governadora Fátima Bezerra tem dedicado atenção prioritária à ampliação da aliança partidária que deverá sustentar seus candidatos nas eleições de outubro. Neste momento, o foco principal está no PSDB e na federação PSOL/Rede.

A questão do tempo de propaganda no rádio e na televisão tem sido apontada como um dos principais fatores para a formação dessas alianças, mas o cálculo político vai além disso.

No caso do PSDB, o interesse está na ampliação política do palanque, incorporando um partido de grande expressão no Estado e liderado pelo deputado Ezequiel Ferreira. A presença dos tucanos fortalece a composição, amplia sua capilaridade e confere maior estatura política ao grupo.

Já em relação à federação PSOL/Rede, o objetivo principal é a retirada das pré-candidaturas de Robério Paulino ao Governo do Estado e de Sandro Pimentel ao Senado. A avaliação feita por setores do PT é que a saída de Robério poderia acrescentar cerca de dois pontos percentuais ao candidato governista. No Senado, a retirada de Sandro abriria espaço para uma possível transferência de votos a Samanda Alves e Rafael Motta, os dois nomes apoiados pelo grupo.

Sobre o tempo de rádio e televisão, considerando as alianças que atualmente estão em formação, a distribuição seria aproximadamente a seguinte:

Pré-candidato Alysson Bezerra

União Brasil, PP, PSD, Republicanos, Solidariedade e MDB: 238 deputados federais.

Tempo de TV para o Governo: 4 minutos e 48 segundos.

Pré-candidato Álvaro Dias

PL e Podemos: 116 deputados federais.

Tempo de TV para o Governo: 2 minutos e 18 segundos.

Pré-candidato Cadu Xavier

PT, PV, PCdoB, PSB, PDT, PSDB, PSOL, Rede e Cidadania: 145 deputados federais.

Tempo de TV para o Governo: 2 minutos e 54 segundos.

Observação: Caso o PSDB e a federação PSOL/Rede não integrem a coligação liderada pelo PT, o tempo de propaganda de Cadu Xavier seria reduzido em aproximadamente 26 segundos.

Embora o tempo de rádio e televisão continue sendo um ativo importante em qualquer campanha eleitoral, a eventual entrada ou saída desses partidos da aliança governista não provocaria alterações significativas nesse aspecto. Por isso, tudo indica que os motivos determinantes para essas negociações estejam mais relacionados à ampliação política do palanque e à reorganização do quadro de candidaturas do que propriamente ao tempo de propaganda.

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