Estratégia de candidatura solo de Zenaide levanta debate sobre o destino do segundo voto

Qual o cálculo que a senadora Zenaide Maia está fazendo para concluir que é melhor ser candidata única ao Senado e rejeitar uma dobradinha com Carlos Eduardo Alves?

Antes de tentar responder a essa pergunta, é importante dizer que Zenaide tem todo o direito de defender sua estratégia. Não há pecado algum em admitir, como de fato já admitiu em entrevista, que considera uma candidatura solo o caminho mais viável para sua reeleição.

A resposta para a pergunta inicial passa pela compreensão de que, em uma eleição para duas vagas ao Senado, as dobradinhas precisam ser complementares. Um nome deve complementar o outro. Além disso, é necessário evitar a sobreposição de votos, ou seja, que os dois candidatos disputem o mesmo eleitorado.

O cálculo que Zenaide fez é simples: ela identificou uma possibilidade de sobreposição de votos entre ela e Carlos Eduardo no eleitorado de Natal. Em outra linha de análise, também concluiu que havia pouca complementariedade entre os dois.

Há uma certa lógica nessa avaliação. Contudo, ela apresenta um problema na origem. Em 2018, Zenaide obteve 660.315 votos. Digamos que ela consiga repetir esse número agora em outubro. A pergunta é: para onde irá o segundo voto desses 660 mil eleitores que votarão em Zenaide?

Essa é a chave da questão. Quase todos esses votos podem acabar indo para adversários que disputam diretamente com ela a segunda vaga, considerando que Styvenson Valentim já apareceria com uma vaga praticamente consolidada. Sem uma dobradinha que lhe ofereça complementariedade, Zenaide pode acabar entregando de graça seu segundo voto para candidatos que podem derrotá-la.

E há grande chance de esse segundo voto migrar para a esquerda, considerando o perfil progressista da maior parte de seus eleitores. Ou seja, em uma campanha solo, a senadora pode acabar fortalecendo potenciais adversários.

Enquanto isso, no campo da esquerda, Samanda Alves e Rafael Motta dão sinais claros de uma dobradinha complementar. A tendência é que Rafael se torne destino natural do segundo voto de Samanda e vice-versa.

Isso não significa, necessariamente, que Carlos Eduardo fosse o complemento ideal para Zenaide. É razoável considerar que talvez não fosse. Mas a candidatura solo, sem uma composição eleitoral definida, pode acabar se tornando sua principal fragilidade.

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