Mais que ideologia, eleição do mandato-tampão será decidida no cálculo eleitoral

Governistas e oposicionistas sentam-se à mesa diariamente para fazer as contas dos votos da eleição indireta para o mandato-tampão. A primeira vista, se trata de um cálculo simples, já que são apenas 24 eleitores que decidirão quem vence e quem perde nesse embate. Fazer conta copm 24 votos, deveria ser simples.

Mas, nada disso é simples. O cálculo envolve compreender quem se alia a quem para definir a vitória no pleito. Em algum momento, alianças precisarão ser formadas. E 24 votos se tornam um emaranhado de opções.

Atualmente, pelo menos três grupos políticos se articulam no Estado para participar dessa eleição indireta. A regra deve prever que, havendo três ou mais candidatos, haverá segundo turno caso ninguém alcance a maioria absoluta dos votos.

A incógnita é saber se os dois palanques de oposição irão se unir para derrotar o governo ou se outros interesses políticos prevalecerão no momento das escolhas.

Para entender esse dilema, é preciso observar a polarização política presente no país. Esse cenário aponta para uma disputa cada vez mais marcada pelos polos da direita e da esquerda, conservadores e progressistas.

Dentro dessa lógica, a aliança natural da oposição para derrotar o governo na eleição do mandato-tampão não é tão automática quanto parece. Um grupo pode acabar fortalecendo outro dentro do mesmo campo político, e essa conta poderá ser cobrada mais adiante no embate direto dentro do polo.

Outro elemento relevante nessa equação é a base de centro que o prefeito Allyson Bezerra vem construindo. Embora faça oposição ao governo, esse grupo tem origem e histórico de alinhamento com a atual gestão estadual, reunindo deputados que, em outros momentos, integraram a base governista.

Diante desse conjunto de fatores, a projeção do resultado torna-se complexa.

E há ainda um ponto decisivo: os deputados tendem a definir seus votos menos pela polarização ideológica ou por rótulos políticos e mais pelo cálculo eleitoral. Cada um estará atento às próprias chances de reeleição em outubro e, por isso, negociará com seu voto as melhores condições possíveis para alcançar esse objetivo.

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