Neste início de 2026 — ano eleitoral — quero registrar minhas opiniões sobre os desdobramentos de muitas das indefinições políticas no Rio Grande do Norte. Não se trata de mero pitaco, mas de uma análise de fatos acompanhada das minhas conclusões. Não há pretensão de ser dono da verdade, até porque muitas dessas indefinições nem mesmo os próprios envolvidos sabem como terminarão. Reitero: são análises seguidas de conclusões que podem, ou não, se concretizar.
Comecemos pela posição do senador Rogério Marinho. Ele será ou não candidato ao Governo do Estado? Ou optará por assumir o papel de coordenador da campanha do PL à Presidência da República?
OS FATOS:
Rogério sempre deixou essa questão em aberto. Nunca cravou que sua candidatura ao Governo do RN fosse irreversível e, em todas as suas falas, manteve a condicional de que o cenário nacional pesaria decisivamente em sua escolha.
Nas declarações públicas, Rogério sempre utilizou um “se” como elemento central para definir seu futuro político.
Ao analisar praticamente 100% das postagens de Rogério nas últimas semanas, percebe-se que todas estão voltadas ao cenário nacional. Ele aborda temas da política nacional, sem tratar do Rio Grande do Norte, de seus problemas ou de possíveis soluções. O foco é claramente nacional.
Rogério recebeu do ex-presidente Jair Bolsonaro a missão de ser seu representante nas decisões estratégicas do PL para a campanha presidencial. Quando Bolsonaro escolheu seu filho, Flávio Bolsonaro, como o nome do bolsonarismo para disputar a Presidência da República, também definiu Rogério como o coordenador-geral de todo o processo.
Flávio Bolsonaro já concedeu entrevistas confirmando que Rogério será o coordenador de sua campanha e atribuiu a ele a primeira grande missão: comandar o trabalho de elaboração do plano de governo que o PL apresentará ao país.
Rogério também sabe que, ao exercer esse papel de coordenação, passa a ser o primeiro da fila para disputar a presidência do Senado, caso a direita vença a eleição. E mesmo em um cenário de reeleição do presidente Lula, a expectativa da direita é formar maioria no Senado a partir de 2027, o que manteria Rogério extremamente competitivo para disputar o comando da Casa.
MINHA OPINIÃO:
Todos os caminhos apontam para a desistência de Rogério Marinho da disputa pelo Governo do Estado, com foco total no papel estratégico que desempenhará no cenário nacional.
Rogério não abrirá mão dessa visibilidade nacional para se restringir a uma disputa regional no Rio Grande do Norte. Tampouco conseguirá conciliar, de forma eficiente, os dois projetos ao mesmo tempo.
Ele sabe que, ao deixar o espaço nacional, outro ocupará rapidamente seu lugar. Soma-se a isso o fato de que, no RN, a possibilidade de derrota é hoje maior do que a chance de vitória.
Por tudo isso, acredito que Rogério Marinho não será candidato ao Governo do Estado. Esse anúncio deve ocorrer até fevereiro, no máximo.





