Nem tudo são flores no campo da direita no Rio Grande do Norte. Apesar do esforço para vender como positiva a mudança na chapa, nos bastidores a sensação predominante é a de que os conservadores deram um passo atrás.
Um ponto que não pode ser ignorado é que os discursos que embalaram o anúncio de Álvaro Dias como candidato da direita foram precedidos por uma intensa articulação para que Styvenson Valentim aceitasse disputar o Governo. Rogério Marinho não queria Álvaro, assim como Paulinho Freire, e até Ezequiel Ferreira atuou nos bastidores para convencer Styvenson a aceitar a candidatura.
Com o fracasso do plano A, a direita acabou se rendendo ao plano B, sem alternativas viáveis. Esse desconforto ficou evidente até mesmo no adiamento do anúncio oficial da chapa completa, que Rogério Marinho pretendia fazer. A avaliação interna foi de que a divulgação do pacote completo reduziria ainda mais o impacto político da mudança.
Na prática, o PL já tem a chapa definida. Babá Pereira deverá ser o vice de Álvaro Dias, enquanto Coronel Hélio será o segundo nome ao Senado. A decisão de não anunciar tudo de uma vez se deu pelo receio de transmitir ao eleitor a imagem de uma “chapa tapa-buraco”.
A escolha de Babá e Hélio se explica por dois fatores. Primeiro, o PL não vislumbra a entrada de novos partidos na aliança, que já reúne PL, PSDB, Republicanos e Podemos. Segundo, ambos são considerados internamente os nomes que mais agregam ao projeto.
A definição de Álvaro como plano B e o fechamento da chapa com nomes que já orbitavam o projeto são o desfecho de um processo iniciado em janeiro de 2024. Agora, a estratégia do marketing é impedir que a percepção de retrocesso se consolide junto ao eleitorado.
A aposta do grupo está nas próximas pesquisas, ainda que exista o risco de frustração de expectativas. A tendência observada é de ampliação da vantagem de Allyson Bezerra sobre o candidato do PL e de crescimento de Cadu Xavier, que pode se aproximar de Álvaro e ameaçar deixar a direita fora do segundo turno.





