Quando se fala em eleição para o mandato-tampão no Rio Grande do Norte, duas estratégias estão claramente em execução. Faltam menos de dois meses para que o cenário se defina, com a possibilidade de renúncia, dupla vacância e a consequente convocação da eleição indireta.
A oposição no Estado está hoje concentrada em um único objetivo: tirar Fátima Bezerra do jogo. Como já é consenso que a governadora não renunciará sem a perspectiva real de o PT eleger o sucessor, o foco passou a ser a inviabilização de uma eventual vitória petista.
A cartada é alta. Centro e direita entendem que Fátima fora da disputa significa, no plano local, uma vaga aberta para o Senado e, no plano nacional, uma cadeira a menos para o governo federal a perspectiva de uma vaga a mais para o campo do centro-direita.
A partir dessa lógica, partidos como PL, PSDB, Republicanos, União Brasil, PP, PSD e MDB estão no mesmo barco e com o mesmo objetivo em relação à eleição para o mandato-tampão: inviabilizar a candidatura de Fátima e projeto do PT.
De olho nessa meta, esses partidos avaliam que Ezequiel Ferreira teria papel central para impedir que o PT alimente o sonho de eleger o sucessor. Também faz parte da estratégia pressionar ex-deputados governistas que migraram para a oposição e que hoje estão sendo chamados para conversas com a governadora.
Neste blog, já analisei que acredito na renúncia de Fátima e também nas chances do PT eleger o nome para o mandato-tampão. Essa convicção decorre da prioridade que o partido tem dado ao projeto e da possibilidade de convencer os eleitores — os deputados — a partir do cálculo político das eleições de outubro.
Apesar disso, há um ponto para o qual toda a oposição tende a convergir. O foco deixa de ser eleger o governador-tampão e passa a ser impedir que a eleição aconteça.
É importante observar que o cenário mudou. Em janeiro, havia dois grupos de oposição disputando quem teria um nome viável para o mandato-tampão e fazendo contas de votos. Hoje, essa lógica foi abandonada. A estratégia passou a ser forçar Fátima a permanecer no governo até o fim do mandato.
Como afirmou Cadu Xavier em entrevista recente, “a última cartada é de Fátima”. E isso é verdade. Os partidos podem até impedir que o PT reúna votos suficientes para eleger o governador-tampão, mas não têm como impedir uma eventual renúncia da governadora, caso ela assim decida, independentemente das chances de vitória.
Como já escrevi anteriormente, se houver mandato-tampão, quem assumir estará pisando em uma verdadeira casca de banana. Há prós e contras para ambos os lados. Assumir a caneta a partir de abril não traz apenas benefícios — os riscos existem e são elevados. Nesse jogo, tudo é cuidadosamente calculado.





