Os partidos que compõem a aliança da governadora Fátima Bezerra devem se reunir na próxima semana para ratificar a indicação do PDT ao Senado. O nome escolhido é o de Rafael Motta, que deve formar a dobradinha com Samanda Alves.
PT, PV, PSB, PDT, PCdoB e Rede já têm essa reunião agendada para a primeira semana de maio em que o PDT oficializará a decisão tomada após pesquisas internas. A tendência é de homologação unânime, consolidando a composição da chapa.
Este é o momento aguardado por Rafael para iniciar de forma mais consistente sua pré-campanha. Após o anúncio interno do PDT, ele adotou um tom cauteloso, destacando que aguardava a posição dos partidos aliados antes de avançar.
Ainda assim, o processo não é automático. Há análises que apontam para uma possível disputa interna, já que algumas pesquisas indicam Rafael melhor posicionado que Samanda, o que poderia gerar tensões dentro do próprio campo político.
Minha avaliação é que o PT dará aval à indicação e trabalhará para fortalecer a dobradinha como um projeto conjunto. Não há espaço para divisão neste momento.
Para conter o avanço de Zenaide Maia no eleitorado de esquerda, o PT sabe que não pode perder o segundo voto. A prioridade natural será Samanda, mas abrir espaço para Zenaide avançar no segundo voto do eleitor de esquerda representaria um risco estratégico.
Nesse contexto, a escolha de um nome competitivo é essencial — e Rafael cumpre esse papel. Com o apoio da aliança de esquerda, torna-se mais competitivo e com maior capacidade de consolidar o campo, inclusive dificultando o avanço de Zenaide.
Uma dobradinha ao Senado exige, acima de tudo, complementariedade. No desenho atual, Samanda tende a ocupar o primeiro voto, enquanto Rafael se posiciona como alternativa forte para o segundo. Para cumprir o objetivo a aliança precisa ter foco nos dois nomes, sob pena de derrotar a própria estratégia.
Para Rafael, a homologação por parte dos aliados representa um diferencial que não teve em 2022: a presença de um grupo político estruturado. Naquela eleição disputou o Senado sem ter nenhum grupo por trás de si, praticamente sozinho e, ainda assim, alcançou 23% dos votos.





