O maior desafio de Lula não está na oposição, mas na incapacidade de vender uma nova esperança

A impressão que tenho é de que o presidente Lula está com prazo de validade vencido. A derrota histórica na indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto à PL da Dosimetria dizem menos sobre o conteúdo das matérias e muito mais sobre a falta de disposição para o enfrentamento político por parte do governo.

A sensação é de um governo cansado. Lula já não faz a articulação necessária para governar; prefere viajar pelo mundo ou se encastelar no Palácio do Planalto, de onde despacha sem demonstrar capacidade de responder aos anseios da população.

Penso que a principal dificuldade de Lula para um quarto mandato nem está na força dos seus adversários — que considero frágeis —, mas na incapacidade do governo de vender algum tipo de esperança ao país. Em 2022, Lula representou a expectativa de retomada de algo que o Brasil havia perdido. A picanha e a cerveja tornaram-se símbolos de uma promessa: a de que a vida voltaria ao normal.

E agora, qual é o sonho que Lula tem para oferecer pelos próximos quatro anos? É aí que reside o problema eleitoral do líder petista. Quando se questiona por que o governo enfrenta uma avaliação em queda, mesmo com indicadores econômicos aparentemente positivos, a resposta não está nos números, mas na ausência de perspectiva.

Em Mossoró, em 2016, quando Tião Couto disputou a eleição com Rosalba, já se percebia um desgaste na imagem da então prefeita. Em 2020, o desfecho confirmou essa percepção: em plena tentativa de reeleição, Rosalba já não tinha mais o que oferecer à população mossoroense. Foi nesse cenário que surgiu Allyson, representando alguém capaz de apresentar uma nova esperança.

Diferentemente do que ocorreu em Mossoró em 2020, no cenário nacional não vejo, em nomes como Flávio Bolsonaro, Caiado ou Zema, a capacidade de apresentar uma nova esperança ao povo. Ainda assim, esses nomes acabam sendo diretamente beneficiados pela imagem de inércia de Lula, que já não parece ter novos caminhos a apresentar.

Talvez a eleição de 2026 não seja o momento de ascensão de uma nova liderança com esse perfil, mas sim um período de transição, em que o eleitor será levado a escolher entre opções menos rejeitadas.

As derrotas recentes do governo no Congresso podem servir como um importante sinal de alerta. Um chamado à realidade. Um convite para entrar no jogo político de forma mais ativa. Confiar apenas na repetição de programas sociais com viés eleitoral pode não ser suficiente. Sem a capacidade de apresentar algo novo, consistente e confiável para os próximos quatro anos, os reveses desta semana podem ser apenas um prenúncio do que poderá ocorrer nas urnas.

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