O arranjo anunciado por Jean Paul Prates e Rafael Motta, de que o PDT realizará uma pesquisa para definir quem será o candidato ao Senado, soa mais como um jogo de cena. A decisão, na prática, já está tomada: Rafael é o nome do partido.
A proposta de contratação de uma pesquisa aparece como uma saída honrosa para que Jean Paul não deixe a disputa sem uma justificativa pública consistente. Na prática, a dobradinha entre Rafael e Samanda Alves já se evidencia nas agendas conjuntas cumpridas desde a semana passada.
Por outro lado, a ideia de que Jean Paul e Rafael possam construir uma atuação compartilhada em um eventual mandato no Senado parece mais plausível e faz sentido dentro do atual contexto político.
Não há demérito no fato de Jean Paul não ser o candidato do PDT. O ponto que chama atenção é apenas a forma como esse encaminhamento foi conduzido, um pouco fora do tom.
O fato é que Jean Paul nunca demonstrou real disposição para disputar o Senado diante do cenário desenhado para 2026 no Rio Grande do Norte. Seu interesse principal era ocupar a primeira suplência de Fátima Bezerra.
Com a desistência da governadora em disputar o Senado, o projeto político de Jean Paul perdeu força e sentido.
Rafael Motta, por sua vez, foi convidado para o PDT pelo próprio Jean Paul, que identificou nele três atributos: disposição para a disputa, maior competitividade eleitoral e alinhamento com a exigência do PDT nacional de ter candidatura própria ao Senado no estado.



