A já quase certa eleição indireta para um mandato tampão no Governo do Estado deverá ocorrer no final do mês de abril. O ponto que precisa ser destacado é que essa disputa funcionará, na prática, como um ensaio das eleições gerais previstas para outubro. Isso porque os três palanques que já se desenham para a eleição majoritária estão, desde agora, articulando seus nomes para essa disputa intermediária.
É verdade que a eleição para o mandato tampão ocorre de forma indireta, com apenas os 24 deputados estaduais votando para definir o vencedor, enquanto a eleição geral envolve todo o eleitorado do Estado. No entanto, embora o colégio eleitoral seja diferente, os atores políticos em disputa são praticamente os mesmos.
O movimento já identificado entre deputados, no sentido de fechar um pacto para eleger um nome consensual entre os 24, ou seja, alguém do Palácio José Augusto, dificilmente prosperará. A tendência é que opções externas surjam com forte pressão política, tornando o acordo interno inviável.
No palanque governista, a articulação inicial se deu em torno de Cadu Xavier, pré-candidato ao Governo em outubro. Por sugestão do deputado Fernando Mineiro, o PT avalia apresentar o nome de Cadu já para a disputa do mandato tampão.
No grupo liderado pelo senador Rogério Marinho, a movimentação também começou. O primeiro nome que surge é o do prefeito de Acari, Fernandinho, que teria, inclusive, o apoio do senador Styvenson Valentim.
Na federação PP e União Brasil, ainda não há nomes oficialmente colocados, mas as conversas já estão em curso. O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo, avalia que seria estrategicamente importante que o grupo político que lidera assumisse o Governo de forma antecipada.
Do ponto de vista legal, Allyson e Cadu poderiam disputar e assumir o mandato tampão. Contudo, essa escolha os tornaria inelegíveis para uma reeleição em 2030, caso se elejam governador em outubro. No caso de Rogério Marinho, disputar o mandato tampão implicaria renúncia imediata ao mandato de senador.
A eleição indireta de abril, portanto, tende a movimentar intensamente a política potiguar nos próximos meses, antecipando, desde já, o clima e as disputas do ano eleitoral. Cada grupo usará esse processo como um teste real de suas forças e capacidade de articulação.





