Prazo se encerra e saberemos em meses se governo de Fátima vai quebrar o estado ou não

Termina hoje, dia 4, o prazo para desincompatibilização daqueles que ocupam cargos nos altos escalões e pretendem disputar as eleições de outubro. Aqui no RN, como é sabido, a governadora Fátima Bezerra não renunciou e permanece no cargo até o final do mandato.

Esse fato representa um divisor de águas. O vice-governador, Walter Alves, rejeitou assumir o governo, alegando tratar-se de uma gestão inviável, com finanças comprometidas a ponto de causar danos severos à imagem de quem estivesse com a caneta na mão a partir de agora.

Pois bem, Fátima permanece — seja para desmentir Waltinho, seja para confirmar que o vice-governador tinha razão.

Um primeiro ponto relevante é que Fátima está há exatos 87 meses à frente do governo e, até este momento, nenhuma folha salarial atrasou. Não há registro de servidores ativos ou aposentados com salários em atraso. Isso é, sem dúvida, um dado importante.

Pode-se argumentar, por outro lado, que há dívidas acumuladas: os descontos de empréstimos consignados não estão sendo repassados aos bancos, existem fornecedores com pagamentos em atraso e há um déficit nominal previsto de R$ 1,5 bilhão no orçamento deste ano.

Ainda assim, isso está longe de configurar a “quebradeira” propagada por seus adversários. Dependendo do ângulo de análise, há diferentes números e interpretações possíveis.

No entanto, o objetivo desta análise é tratar especificamente das razões que levaram Walter Alves a não assumir o governo e da decisão de Fátima de permanecer até o fim do mandato. Um dos dois terá que dar explicações durante a campanha eleitoral. A verdade, inevitavelmente, virá à tona.

É fato que tanto Walter quanto Fátima tiveram razões políticas para suas decisões. Walter desejava ser candidato a deputado estadual, enquanto Fátima permaneceu no cargo por não ter conseguido viabilizar um sucessor para um eventual mandato-tampão.

Ainda assim, será interessante observar, ao longo do processo eleitoral, quem estava com a razão nessa polêmica — e quem acabará ficando com o ônus de ter sustentado uma narrativa falsa.

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