A primeira semana da campanha de Allyson Bezerra ao Governo do Estado deixou uma estratégia bastante clara. Allyson vai priorizar Natal e a Região Metropolitana, buscando ampliar sua presença e visibilidade junto ao eleitor da capital, enquanto Mossoró ficará, em grande parte, sob a responsabilidade do prefeito Marcos Medeiros e da candidata a deputada estadual Cínthia Pinheiro.
Em Mossoró, o dia a dia da campanha, com visitas, ações porta a porta, caminhadas e carreatas, deverá ter Marcos à frente. Cínthia também participará, conciliando a campanha local com sua agenda em outros municípios.
Do ponto de vista político, a tarefa acaba sendo um pouco ingrata para Marcos. Se tudo der certo e Allyson conseguir em Mossoró um desempenho próximo ao resultado alcançado em 2024, o mérito naturalmente será atribuído ao candidato, que é o grande detentor desse capital eleitoral. Mas, se o desempenho ficar abaixo das expectativas, Marcos corre o risco de carregar parte da responsabilidade pelo resultado.
Esta semana tive acesso a uma pesquisa de caráter administrativo, e não eleitoral, realizada neste mês em Mossoró. Os números mostram Marcos com cerca de 20 pontos a menos de aprovação do que Allyson tinha quando deixou a Prefeitura, além de uma desaprovação consideravelmente mais elevada.
Até então, eu ainda não havia tido acesso a números sobre a gestão de Marcos. Mas vinha conversando bastante com as pessoas, ouvindo opiniões nas ruas, e já havia percebido com frequência algumas restrições ao desempenho da administração.
É preciso considerar, no entanto, que Marcos Medeiros enfrenta uma situação bastante atípica desde que assumiu a Prefeitura, no final de março. Veio a Copa do Mundo e, logo depois, a campanha eleitoral. Com a atenção da população voltada para outros acontecimentos, a gestão municipal ainda não esteve completamente sob os holofotes. De certa forma, Marcos teve uma espécie de “trégua” nesses primeiros meses.
Essa realidade muda depois da eleição.
Quando o período eleitoral terminar, os olhos naturalmente se voltarão para a Prefeitura. E o resultado das urnas em Mossoró será, inevitavelmente, um dos primeiros elementos utilizados para avaliar a força política de Marcos e o desempenho de sua gestão.
Dentro da estratégia de Allyson, foi a atitude natural entregar ao prefeito Marcos a condução cotidiana de sua campanha em Mossoró. Ele está nas ruas, lidera as ações, participa das caminhadas e assume protagonismo na mobilização. Na prática, faz campanha para Allyson, mas também para si próprio. Uma para as urnas, a outra para a projeção de imagem própria.
É uma oportunidade de ganhar visibilidade, ampliar o contato direto com a população e testar sua capacidade de liderança e mobilização sem estar protegido apenas pela força da máquina administrativa.
Por isso, o resultado final da eleição em Mossoró dirá muito sobre Marcos Medeiros: sobre sua gestão, sua capacidade de mobilização e, principalmente, sobre a força de sua liderança política.
Ainda assim, permanece o paradoxo: se o resultado for muito bom, provavelmente dirão que os votos são de Allyson. Se ficar abaixo das expectativas, parte da conta poderá cair no colo de Marcos.
É justamente aí que está o tamanho do desafio.





