PT aposta na dobradinha Samanda/Rafael como freio para avanço de Zenaide no eleitor de esquerda

Está todo mundo fazendo contas sobre a disputa para o Senado. No Partido Liberal, por exemplo, avalia-se o impacto de uma possível terceira candidatura — a de Flávio Rocha — dentro do campo da direita, o que levaria à divisão de votos com Styvenson Valentim e Coronel Hélio. Em tese, essa fragmentação tende a reduzir as chances de Coronel Hélio, que aposta justamente na fidelização do eleitorado mais alinhado à direita.

No grupo político em torno da senadora Zenaide Maia, os cálculos também estão em andamento — e com um certo grau de preocupação. A possível entrada de Carlos Eduardo Alves para formalizar uma dobradinha não é vista como positiva. Pelo contrário: do ponto de vista de Zenaide, a parceria gera mais risco do que ganho.

As projeções, especialmente a partir de pesquisas qualitativas, indicam que Carlos Eduardo tende a disputar o mesmo eleitorado da senadora, provocando uma sobreposição de votos. A lógica é simples: em vez de ampliar o alcance da candidatura, ele pode enfraquecer a estratégia de captação do segundo voto — fundamental em uma eleição com duas vagas — ao dividir com Zenaide a preferência do mesmo eleitor.

Na esquerda, o Partido dos Trabalhadores também faz suas contas diante da entrada de Rafael Motta, indicado pelo PDT, para compor dobradinha com Samanda Alves. Nesse caso, o raciocínio estratégico é diferente dos demais grupos.

O PT parte do entendimento de que, para Samanda ser competitiva, é necessário atuar em duas frentes simultâneas: consolidar o primeiro voto e, sobretudo, impedir que o segundo voto do eleitor progressista migre para Zenaide Maia.

Nesse cenário, o partido avalia que Zenaide possui forte capacidade de atrair esse segundo voto dentro do campo progressista. É justamente aí que ganha relevância a presença de Rafael Motta na chapa: sua função estratégica seria atuar como um “retenedor” desse voto, reduzindo a transferência natural para Zenaide e equilibrando a disputa.

A leitura predominante é que Samanda Alves e Zenaide Maia disputam diretamente uma das vagas ao Senado. Por isso, o PT entende que precisa de uma dobradinha não apenas complementar, mas competitiva o suficiente para conter o avanço da senadora nesse eleitorado.

Enquanto todos fazem seus cálculos e projeções, a análise das composições indica que a dupla Samanda Alves e Rafael Motta apresenta, até aqui, maior grau de complementariedade estratégica — especialmente por combinar ampliação de base com capacidade de retenção de votos dentro do mesmo campo político.

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