Embora seja uma posição difícil de sustentar até o fim, o pré-candidato ao Governo do RN pelo União Brasil, Allyson Bezerra, tenta evitar declarar em quem votará para presidente da República. A estratégia é clara: não se vincular a nenhum dos polos da polarização, evitando rejeição de parte do eleitorado.
Questionado com frequência sobre o tema, Allyson repete a mesma resposta: afirma que não quer influenciar o eleitor com uma indicação de voto e que o mais importante é discutir os problemas do estado. O discurso, embora coerente do ponto de vista estratégico, revela também uma tentativa de se manter em terreno neutro em um cenário cada vez mais polarizado.
Mesmo diante de insistências mais firmes, Allyson mantém a postura. Argumenta que, enquanto prefeito, precisou dialogar tanto com o governo Bolsonaro quanto com o governo Lula, e que, em ambos os casos, conseguiu viabilizar ações importantes para Mossoró.
Essa evasiva, no entanto, não é simples. A polarização nacional faz com que grande parte do eleitorado já esteja posicionada, o que torna cada vez mais difícil sustentar a neutralidade. Declarar apoio a um dos lados significaria, inevitavelmente, afastar o outro.
Enquanto evita se posicionar, Allyson passa a ser alvo de críticas vindas dos dois campos. Pela esquerda, o pré-candidato do PT, Cadu Xavier, o acusa de alinhamento com a direita e de carregar um “DNA bolsonarista”. Já no campo da direita, Allyson é frequentemente retratado como alguém com vínculos com a esquerda.
A tentativa de permanecer indefinido pode funcionar como estratégia no curto prazo, mas tende a se tornar insustentável ao longo da campanha. Nos debates e no confronto direto com adversários, a pressão por uma posição clara deve se intensificar.
Dificilmente Allyson conseguirá atravessar toda a campanha sem responder objetivamente a essa questão. Em algum momento, será levado a declarar seu voto presidencial. E adiar essa definição por tempo excessivo pode acabar gerando desgaste, com a percepção de omissão calculada diante de um tema central para o eleitor.





