Sem dobradinha, plano para reeleição de Zenaide carrega riscos elevados

Na entrevista concedida ontem à Rádio Difusora de Mossoró, o prefeito Allyson Bezerra mostrou-se defensor da estratégia de não lançar um segundo nome ao Senado, concentrando esforços exclusivamente na reeleição de Zenaide Maia. Segundo ele, apenas a existência de um segundo nome competitivo e viável justificaria uma dobradinha, pois, nesse cenário, um candidato poderia ajudar o outro. Pelo visto, o grupo avalia que esse nome hoje não existe.

A estratégia defendida pelo prefeito, no entanto, pode não ser a melhor opção. Analisada com mais cuidado, trata-se de uma escolha de risco, caso venha a ser adotada.

E explico o porquê.

Allyson sustenta seu argumento a partir de um cálculo matemático. Segundo ele, “um candidato pode ter 40% dos votos na primeira opção e não se eleger, porque basta que dois candidatos tenham 15% na primeira opção e 30% na segunda. A soma dá 45%, maior que 40%. É uma conta que precisa ser feita, e nós estamos muito atentos a isso”.

Aplicando esse raciocínio ao cenário concreto do Rio Grande do Norte, a lógica que Allyson defende é a seguinte: um candidato como Styvenson Valentim, que lidera com folga como primeira opção de voto, mas apresenta desempenho fraco como segunda opção, poderia acabar ficando de fora. Por outro lado, um candidato que eventualmente perca para Styvenson no primeiro voto, mas tenha bom desempenho tanto como primeira quanto como segunda opção, poderia, ao final, superá-lo na soma total de votos.

Ocorre que essa estratégia carrega três riscos evidentes.

O primeiro, no caso específico de Zenaide, é que, quando as pesquisas aferem a primeira opção de voto, ela costuma aparecer em terceiro lugar, atrás de Styvenson e Fátima Bezerra. Ou seja, ela já largaria em desvantagem para alcançar o objetivo de ter bom desempenho tanto no primeiro quanto no segundo voto.

O segundo risco é a possibilidade de os dois palanques adversários adotarem exatamente a mesma estratégia, lançando apenas um nome ao Senado. Nesse cenário, com todos jogando o mesmo jogo, Zenaide, que hoje figura como terceira colocada, teria dificuldade de surpreender os adversários e correria o risco de terminar em terceiro, sem protagonismo.

Há ainda um terceiro risco, talvez o mais sensível: o vácuo criado pela ausência de um segundo nome ao Senado. A lógica da dobradinha existe justamente para concentrar os dois votos do eleitor na mesma chapa. O segundo nome serve para evitar a dispersão do voto. Sem essa alternativa, a tendência é que o segundo voto do eleitor de Zenaide migre para Styvenson ou para Fátima, fortalecendo diretamente os adversários.

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